Vanderhall Venice Blackjack: há quanto tempo não se diverte a conduzir?

Com um design simples, mas elegante, remete-nos para os imaginários náutico e da aviação. O exterior é fluido como uma lancha italiana da Riva, e o interior faz-nos crer que estamos a bordo de um avião de caça da Grande Guerra. O volante de três raios em madeira, e os escapes laterais com as proteções perfuradas ajudam a compor a ilusão.

"É muito divertido de conduzir", quem o diz é Jay Leno, o famoso apresentador de televisão que é também um reconhecido colecionador de automóveis, durante o seu programa Jay Leno's Garage. Steve Hall, o presidente da Vanderhall Motor Works é o homem a quem se deve a criação deste veículo inteiramente montado à mão em Utah, nos EUA, que se conduz como um automóvel, mas que está homologado como um motociclo tanto no país de origem, como por cá.

O processo de homologação foi penoso, explica-nos Rui Santos, o empresário português responsável pela importação da Vanderhall para Portugal e Barcelona. Afinal estamos a falar de um veículo com apenas três rodas totalmente fora da carroçaria, não tem airbags nem controlo de estabilidade (ESP), mas tem cintos e arco de segurança (roll-bar), que dispensam a obrigatoriedade de usar capacete.

Começámos por aquele que é o modelo de entrada da marca. O Venice Blackjack com o motor 1400 cc é o mais "despido" de equipamento de toda a gama. No entanto ainda podemos contar uma caixa de seis velocidades automática, ABS, cruise control aquecimento por meio de uma bomba de calor (chauffage), controlo de tração, e até instalação de áudio com suporte para Bluetooth. É só emparelharmos o smartphone para podermos ouvir a música que queremos.

O Venice Blackjack é peculiar até na forma como entramos para dentro dele, como não tem portas, a primeira recomendação que recebemos é como o devemos fazer: "não se apoie no para-brisas!", diz-nos Nuno Fernandes, o responsável de vendas. Com efeito o pequeno para-brisas em vidro laminado está fixado de forma a suportar a deslocação do ar, mas não alguém que se apoie nele, e pode partir com alguma facilidade.

Uma vez no interior do Venice Blackjack, a primeira coisa que notamos é o quão baixo estamos em relação aos outros automóveis, a chave fica no bolso e é só premir o botão (start) para colocar o motor a trabalhar. Praticamente não há isolamento na zona interior do capô, por isso o som do quatro cilindros está muito presente, mesmo ao ralenti. Engrenamos o modo Drive e logo nos primeiros quilómetros percorridos damos conta que, entre muitos outros sons, ouvimos também a válvula do wastegate em quase todas as passagens de caixa.

A outra coisa que reparamos é o efeito magnético que causa nas pessoas que o veem passar: desde transeuntes que ficam parados na passadeira a admirá-lo, a automobilistas que apitam e aprovam com o polegar para cima, continuando quando estacionamos, em que foi frequente sermos abordados para saberem informações.

Cinco segundos dos 0 aos 100 km/h

Já numa estrada com condições para explorarmos as capacidades do Venice Blackjack percebemos que a caixa automática por vezes mantém a mudança quando gostaríamos que subisse, e reduz quando esperávamos que a mantivesse. É uma questão de habituação até encontrarmos a pressão ideal com que pisamos o acelerador, e pode ser resolvida se optarmos pelas patilhas no volante ou a manete sequencial. Cinco segundos é o tempo que demora a chegar aos 100 km/h, a condução é direta e sem filtros, a começar pela suspensão frontal inspirada na Fórmula 1, com braços oscilantes em alumínio que é extremamente competente, mas ainda assim confortável para uma utilização quotidiana.

Com um peso pouco acima dos 600 kg, o Venice Blackjack tem uma distribuição de peso de sensivelmente 70% - 30%, e tendo tração dianteira, é preciso garantir que as duas rodas de 18" mantenham o máximo de contacto com o chão. Por isso recomenda-se moderação na utilização do pedal do travão para não desequilibrar a traseira. A direção é muito diferente do que estamos habituados nos automóveis comuns, mesmo de alguns desportivos: não tem praticamente desmultiplicação, é super direta e reage imediatamente a qualquer movimento do volante. Isto faz com que seja muito preciso a curvar, mas ao contrário de uma direção normal precisa de ajuda para desfazer a curva e não gosta de movimentos bruscos.

Com o apelo de uma moto e a aura de um clássico sem os seus inconvenientes, o Vanderhall Venice é sinónimo de prazer garantido para quem gosta de conduzir e até paga o mesmo que as motos nas portagens. Para além de o achar divertido, Jay Leno também comparou a experiência de condução do Venice Blackjack à de conduzir um kart. E para quem já teve a oportunidade de o fazer, é fácil perceber porquê e concordar.

Ficha Técnica:

Motor: 4 cilindros turbo

Cilindrada: 1399 cm3

Potência: 175 cv

Binário: 251 Nm

Transmissão: caixa de velocidades automática 6 velocidades

Peso: 660 kg

Consumo combinado: 7 l/100 km

Preço: a partir de 38 795 euros

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