Valorizar os produtos da Terceira numa antiga oficina

O chef Vítor Sobral abriu recentemente mais um restaurante, desta vez nos Açores, "o único sítio selvagem civilizado" que conhece. A Oficina da Esquina está no hotel The Shipyard, com vista para a baía.

Foi há pouco mais de um mês que o chef Vítor Sobral inaugurou a sua mais recente aventura. Esta em pleno Atlântico, na ilha Terceira, onde nas antigas oficinas da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo nasceu um projeto que inclui um hotel, o Shipyard, e o restaurante Oficina da Esquina. Não havia expectativas, o resultado "era uma surpresa", nas palavras do chef, mas as primeiras semanas têm sido com casa esgotada.

"Estamos com uma lista de espera de uma semana", avisa o chef Vítor Sobral, que há muito que tem uma paixão pelos Açores. "São o único sítio selvagem civilizado que conheço no mundo", diz. E perde-se a falar das matérias-primas de base fantásticas das ilhas e da apetência dos terceirenses pela novidade e pela diversão, talvez influência americana vinda das Lajes. "A Terceira tem uma dinâmica diferente ao nível da restauração", defende o chef, sem dúvidas de que cerca de 70 a 80% dos cientes da Oficina da Esquina têm sido os habitantes daquela ilha, onde a oferta é muito menor que a procura.

Os pontos fortes dos Açores - laticínios, peixes e carnes - são as grandes apostas da carta do restaurante. Mas, na conversa com o Diário de Notícias, o chef deixa as suas sugestões, que têm a ver com o seu gosto pessoal: para entrada, um peixe marinado ou uma morcela açoriana; depois um peixe daqueles difíceis de encontrar no continente, como o lírio ou o enchareu; guardaria ainda espaço para uma carne grelhada e, finalmente, um queijo DOP de São Jorge com 24 meses de cura.

Estas são as recomendações que vêm do gosto pessoal do próprio chef, mas há muito mais para provar. Tártaros, marinados, moquecas e arrozes de peixe, bochechas de porco, língua de vaca, chispe de porco... apresentados de forma inovadora, de forma a ser referência gastronómica na ilha e valorizando os produtos da região.

"Os Açores são um destino de sonho para qualquer chef, pela qualidade, riqueza e diversidade dos produtos. Espero poder contribuir para valorizar a gastronomia dos Açores com este primeiro projeto na Terceira", diz Vítor Sobral, que há 25 anos viajava com frequência aos Açores. Abrir ali um restaurante era um sonho, mas, sem o desafio do amigo Raimundo Borges, o projeto não teria acontecido. Pelo menos nestes moldes. O Oficina da Esquina está inserido no hotel The Shipyard, propriedade deste terceirense, de cujas janelas se vê a imensa baía e os navios a serem reparados. Foi essa, aliás, a inspiração para o nome do espaço - "Shipyard" (Estaleiro) - primeiro aparthotel de Angra do Heroísmo, que conta com 29 apartamentos, oito dos quais com janelas de teto rasgadas para ver as estrelas.

"Quem gostar de descanso, de bom serviço e de um bom restaurante - em que também existe a possibilidade de mandar vir as refeições para o quarto, ou de ali cozinhar, se apetecer -, tem no Hotel The Shipyard uma boa opção", afirma Raimundo Borges, empresário criado na Ilha Terceira, mas que viveu a maior parte da sua vida no Brasil, em Niterói. Quem assim desejar, terá também à disposição um barco para ir pescar, e ao fim do dia comer os troféus da pescaria que trouxer para casa.

Após um mês na ilha, para acompanhar com toda a atenção os primeiros dias de atividade, o chef deixa a Oficina da Esquina ao cuidado de quatro pessoas da sua estrutura que para lá se mudaram, mantendo visitas frequentas. Além dos Açores tem muito com que se entreter, com negócios em Lisboa e São Paulo, no Brasil: o Dom Roger, o OTRO, a Tasca da Esquina, a Peixaria da Esquina, Tasquinha da Esquina e Padaria da Esquina. "É o que me dá dores de cabeça todos os dias, sobretudo ao fim do mês", comenta num desabafo sobre os tempos difíceis que a restauração tem vivido com a pandemia da covid-19. A tudo isto, junta-se o programa "Masterchef", da RTP1.

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