Para que cada copo de vinho seja uma experiência perfeita

Quem é que lhe disse que o vinho tinto tinha de se beber à temperatura ambiente? Mentiu-lhe. E esse saca-rolhas que provavelmente anda a usar? É bem possível que contribua para que o vinho lhe fique a "saber a rolha". Sugestões para acabar com todos estes (e outros) maus hábitos.

Do controlo de temperatura na conservação ao momento de servir, da forma de abrir a garrafa à melhor conjugação com a comida, o ato de beber vinho pode revestir um certo cerimonial que, à primeira vista, até arrisca afastar os que gostam das "coisas simples da vida".

Ou os mais preguiçosos...

Na realidade, o "ritual do vinho", na grande maioria dos casos, não é muito mais do que um conjunto de cuidados e regras de bom senso, cujo ponto de partida exige pouco mais do que manter em mente alguns princípios básicos.

Por exemplo: a ideia de que o vinho tinto se deve beber à temperatura ambiente foi estipulada, seguramente, por quem não vive nas nossas latitudes (em França, antigamente, as primaveras eram bem mais frescas).

O resultado, em Portugal -- especialmente no verão -- é que a maioria das pessoas bebe uma espécie de sopa de vinho tinto, em que os aromas da bebida estão adulterados pela alta temperatura.

A temperatura certa para beber...

Em vez da velha ideia da "temperatura ambiente", substituamo-la por: "O vinho deve ser bebido à temperatura certa para ele".

O que é que isto significa? Primeira regra: ler o rótulo da garrafa -- há produtores que aconselham a temperatura certa para servir o seu produto. Caso essa informação não seja disponibilizada, eis os valores considerados padrão:

Vinho tinto: entre os 12º e os 18ºC; vinho branco: entre os 8º e os 12ºC; espumante (champanhe) ou vinho de sobremesa: entre os 5º e os 7ºC.

Em jeito de referência, um frigorífico doméstico normal, na zona de refrigeração, reduz a temperatura até os 2º ou 3ºC, o que é demasiado frio até para um espumante. Por isso, não se esqueça de retirar a garrafa do frio algum tempo antes de a consumir.

...E para guardar

O local tradicionalmente certo para guardar as garrafas de vinho é numa cave, longe da luz solar, a uma temperatura relativamente baixa -- cerca de 12 a 16ºC.

Pode perfeitamente guardar-se todos os vinhos (tintos, brancos e espumantes) a estas temperaturas durante muito tempo, refrigerando apenas os que disso necessitam algumas horas antes de serem consumidos, Mas lá estamos a complicar as coisas que podem ser simples...

Outra alternativa, bem mais fácil, que a tecnologia permite, é guardar tudo em garrafeiras elétricas com zonas de refrigeração distintas., para tintos, brancos e espumantes, por exemplo. E não se esqueça de que quando tira a garrafa de uma destas prateleiras e verte o vinho para o copo, basta alguns minutos na mão para que o líquido suba um ou dois graus.

Comecemos por um modelo que é, sem dúvida, um dos "Fòrmula 1" deste tipo de aparelhos, a Miele KWT 6834 SGS. Com capacidade para 178 garrafas, não apenas oferece três áreas diferentes de refrigeração como ainda tem espaço para guardar alguns acessórios como decantadores, etc. Mas não sai nada barata: São mais de 5000 euros.

Daqui em diante, as opções são muitas -- e os preços sempre a descer. Outro exemplo: a Caso Winemaster 180 tem capacidade até 180 garrafas, duas zonas de temperatura distintas e custa (na Worten) 1730 euros.

E se na realidade a sua garrafeira nem é assim tão grande, faz a festa por muito, mesmo muito, menos. A garrafeira Sogo NEV-SS-144 custa apenas 180 euros. Leva umas 8 garrafas, mas mantém-nas guardadas a uma temperatura entre 5º e 18º -- sugerimos 15º -- durante todo o ano até que as queira consumir.

É que daquela vez que gastou algumas dezenas de euros num bom vinho -- ou lhe ofereceram um -- pelo menos tem como garantir que ele se mantém durante meses sem se adulterar.

Sacar a rolha... em elétrico ou como deve ser?

O que não falta no mercado são saca-rolhas elétricos, que são de facto uma grande facilidade pelo esforço que evitam no momento de abrir a garrafa. Mas são mesmo a melhor forma de o fazer?

Há dias um especialista disse-nos que não. O que se deve fazer é retirar a rolha sem a danificar -- evitando assim que cortiça vá parar ao líquido e, como tal, que este fique "rolhado". Daí que um mínimo investimento num saca-rolhas de pinças seja um "must". Afinal, uma coisa destas nem custa 5 euros (dott.pt). Necessita é de força bruta para funcionar...

Mas se é daqueles que quer mesmo ter o último grito tecnológico em casa para tudo, pode sempre encomendar dos EUA o Coravin Model Eleven. Trata-se de um gadget que automaticamente perfura a rolha com uma agulha, deixa passar o vinho através dela e depois reenche a garrafa com gás árgon, que é inerte, e preserva o líquido. Quando o dispositivo é retirado, a cortiça "fecha" naturalmente. A coisa ainda se liga por Bluetooth ao telefone, para indicar dados como a quantidade de gás disponível, bateria, etc. Custa uns 450 euros no site da marca.

A decantação também pode ser "tecnológica"

Nem todos os vinhos devem ser decantados. O processo aumenta a oxigenação do mesmo e altera inevitavelmente o seu sabor. Vinhos muito novos ganham com o processo, mas tal também ocorre com vinhos muito velhos, em garrafa durante muito tempo, que tenham depósito...

Como quase tudo neste século, também este processo hoje pode não ser exatamente o do antigamente, que passava por despejar cautelosamente o conteúdo da garrafa para um outro recipiente, que era levado para a mesa.

Dois modelos saltam à vista: o Wine Aerator da Vacu Vin funciona simultaneamente como um "stop drip" e leva o vinho a fazer um percurso que, ainda que curto, lhe aumenta a oxigenação. Custa 8 euros na Amazon.es.

Outro é o Vinturi Areator, que se parece mais com um sofisticado funil, mas cuja ideia é servir de "intermediário" direto para o copo. Inclui um filtro para travar os resíduos que a garrafa possa conter e o preço é de 20 euros na Amazon.es.

Claro que tudo isto é só o princípio. O vinho só agora chegou ao copo e só neste momento o vamos provar, primeiro percebendo os seus aromas, depois como se porta na boca, e depois...

Pois é, se calhar isto do "ritual do vinho", depois de se começar, até é muito mais complexo afinal -- e bem mais giro -- do que parecia à primeira vista.

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