Exclusivo "Os portugueses não sabem vender-se tão bem como os outros"

O chef Joachim Koerper comemora 50 anos de carreira. A revisitação de um percurso que é uma declaração de amor a Portugal.

São 50 anos de vida na cozinha. O que ainda o motiva para todos os dias vestir a jaleca e vir comandar a sua brigada no restaurante Eleven?
Esta é a minha casa, estou onde gosto, no meu restaurante, na minha cidade, no meu país. E fico feliz ao conseguir fazer as outras pessoas felizes aqui. Estimula-me trabalhar todos os dias e tentar fazer coisas novas. E com esta vista fantástica no topo do Parque Eduardo VII, com esta luz...isto é um privilégio. Penso e sonho em português, a minha vida é aqui.

Que balanço faz da sua carreira?
Parece que foi ontem, mas já são muitos anos. Não mudava nada... talvez devesse ter ido um par de anos para Inglaterra para aprender a falar melhor inglês.

Quando começou era tudo muito diferente na cozinha.
No tempo em que comecei a aprender os cozinheiros não eram nada. Mas nos últimos anos alcançámos um certo status e hoje muitos de nós somos vistos como estrelas, como artistas.

E por isso mesmo, não adivinhando o que se iria passar no futuro, o que o fez escolher esse rumo? Foi influência da família ou gosto pessoal?
A minha família tem culpa [risos]. Os meus pais trabalhavam de segunda a sexta-feira e passávamos a semana a almoçar em restaurantes. Aos fins de semana, como vivíamos perto da fronteira, o meu pai levava-nos a restaurantes em França. Por outro lado, só quando fui para um colégio interno me tornei bom aluno, mesmo assim decidi ir para a cozinha. Fui trabalhar para um hotel a 600 quilómetros de minha casa e lá aprendi as as coisas simples. Depois de ter o meu certificado de cozinheiro fui para Berlim onde comecei a aprendizagem mais a sério. Por lá conheci um suíço que me convenceu a ir trabalhar para o seu país. E fiquei na Suíça cerca de 18 anos, com algumas temporadas noutros países. Um dia um amigo convidou-me para fazer uma semana gastronómica em Valência. E fui. O único acordo que tínhamos era ser pago sobre os pratos que vendíamos. E digo-lhe, nunca trabalhei tanto e fiz tanto dinheiro em tão pouco tempo. No último dia, um domingo, fomos jantar ao restaurante duas estrelas Michelin O Girassol, em Moreira, e apaixonei-me pelo lugar. Consegui comprá-lo em 1988.

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