Nokia agora também significa... televisores

Sabia que o nome que antes era sinónimo de telemóveis agora surge em televisores e boxes de streaming Android? Qual a relação direta com a marca finlandesa de então? Apenas, e só, o nome

Há marcas que se tornam sinónimo do seu produto -- Martini, Gilette... -- e há outras que se tornam nomes que teimam em não desaparecer, mesmo quando as suas marcas deixam de ser aquilo que eram.

Provavelmente um dos melhores exemplos deste último caso é a Nokia.

A marca finlandesa foi no final do século XX quase rainha do mercado de telemóveis, mas perdeu o trono com a revolução dos smartphones (primeiro, no mercado empresarial, para os Blackberry e depois definitivamente para os iPhones e Androids). Em 2013 vendeu a divisão de telemóveis à Microsoft -- que apostou nela para ser a figura de proa dos sonhos da empresa de Redmond com Windows Phone -- e assim atirou a "toalha ao chão" neste mercado.

A Nokia, a que descende diretamente da finlandesa, é hoje uma empresa de sucesso na área das redes informáticas e de telecomunicações de última geração, a Nokia Networks.

Mas o nome Nokia no mercado de consumo perdura. E nem o facto de, em 2015, a Microsoft ter deixado de fabricar os seus Nokia Lumia ou quaisquer outros telemóveis impediu que o nome ressuscitasse.

O processo foi conseguido de uma forma diferente, anunciado em 2014. A Nokia passaria a licenciar o seu nome a empresas de tecnologia escolhidas, que iriam a desenvolver, produzir e comercializar os produtos.

Este é um processo comercial relativamente comum. Sabe quem é a maior empresa do mundo que o faz? A Walt Disney. Afinal, de cada vez que compra um boneco do Star Wars ou uma T-shirt do Mickey estes produtos são fabricados por uma empresa licenciada, que paga uma renda para o poder fazer.

Regressemos à Nokia. Apesar de não ter sido a primeira empresa a fazê-lo, foi sem dúvida a que mais impacto teve porque significou o regresso da Nokia aos telemóveis: logo em 2017, surgiram os primeiros smartphones Android e até foi criado um modelo revivalista do histórico Nokia 3310. Por trás desta iniciativa está a empresa HMD Global, criada por antigos quadros da Nokia Mobile. A Nokia não tem qualquer investimento nesta empresa.

Do mini para o médio ecrã

Se vir as letras Nokia impressas num aparelho de mão que faz chamadas é algo que parece mais ou menos inevitável. Já vê-las em aparelhos de televisão é um pouco mais surpreendente.

Mas é isto mesmo que acontece desde o fim do ano passado, quando a empresa austríaca StreamView adquiriu o direito de utilizar o nome para aparelhos de streaming de imagem.

Neste momento, a empresa oferece três produtos: dois televisores LED "smart TV" e uma box de streaming Android.

Ambos os televisores têm resolução 4K Ultra HD (resolução nativa de 3840 x 2160), HDR 10 e Dolby Vision e suportam áudio DTS, tendo também ligação wi-fi e Bluetooth.

Por terem sistema operativo Android (v.9), a correr num processador ARM CA55 Quad-Core, mais 8GB de memória RAM, o utilizador tem acesso a todas as apps habituais, como o YouTube, o Netflix, o PrimeVideo, o GooglePay, etc.

Aliás, todas as características no papel são idênticas entre os dois televisores exceto o tamanho do ecrã e, consequentemente, o preço:

O maior Nokia Smart TV 5000A, ecrã de 50 polegadas (126 cm de diagonal), custa 599,90. O mais pequeno, ecrã de 43 polegadas (108 cm de diagonal), custa 499,90.

A StreamView vende diretamente no seu site, que tem opção em português (https://nokia.streamview.com/pt) e promete entregas em 2 a 5 dias. Não tivemos oportunidade de experimentar nenhum dos aparelhos, mas os valores são, no mínimo, curiosos.

Andoid Box para um TV "estúpido"

O terceiro Nokia da StreamView é uma box Android com capacidade de transmissão de imagem em 4K Ultra HD e descodificação de áudio Dolby Digital Plus.

Traz instalado como sistema operativo o Android 10, a correr num processado Quad-Core Cortex-A55. O processador gráfico é um ARM Mali-G31 MP2 e a memória RAM é um eMMC de 8GB.

As ligações são o que se esperaria, incluindo Bluetooth 4.2 (não é 5), um USB-C e um USB-A.

Isto por 99,90. Ao contrário do que acontece com os televisores, aqui a StreamView Nokia surpreende pela negativa. O mercado tem opções semelhantes um pouco mais baratas.

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