Mercados Biológico, o novo lógico!

Os produtos biológicos estão cada vez mais a ganhar espaço na vida dos portugueses que, todas as semanas, frequentam os vários mercados dedicados à produção biológica que existem espalhados pela cidade. Tendência, preocupação com a saúde ou modo de vida? O DN foi saber.

Há, atualmente, na zona da grande Lisboa dez mercados de produtos biológicos que têm lugar aos sábados de manhã.

Mercados ao ar livre que ganharam maior importância entre os lisboetas em tempos de pandemia. Um misto de passeio higiénico com a compra de alimentos mais saudáveis que cada vez mais tem mais adeptos. O DN foi a dois desses mercados, em dois lugares distintos de cidade: Campo Grande e Príncipe Real.


Logo pela manhã, o mercado biológico do Campo Pequeno é um lugar cheio de vida. Pessoas vindas de todo o lado, animais de estimação a acompanhar, crianças a correr e o cantarolar dos pássaros no topo árvores reforçam a ideia de maior proximidade com a natureza. Paula Piedade, de 48 anos, com sorriso de orelha a orelha, vende na sua banca no Mercado Agrobio desde dezembro de 2014.


Os produtos biológicos, que conhece desde criança quando passeava na quinta dos avós em Loures, são a sua paixão. Há precisamente nove anos decidiu concretizar "um grande sonho" e montou uma banca neste mercado bio. A idade de quem visita e compra neste mercado ronda os 40 anos, "há muitos jovens com consciência alimentar", diz a produtora com satisfação.
No que toca aos preços explica que "o produto biológico é mais caro porque há muitos fatores que o fazem encarecer", tais como serem pequenas produções, em pouco terreno, mas com mais sabor, qualidade e tempo, explica. "É como comprar um Ferrari ou comprar um Mini. O produto com qualidade tem um preço e as pessoas procuram a qualidade e um preço justo", acrescenta.


Paula, tal como outros, adaptou-se aos tempos de pandemia e passou a fazer entregas em casa. Usa, também, outras formas e dinâmicas de atrair clientes: como a realização de workshops ao vivo sobre os benefícios de uma dieta biológica.


Alfaces frescas trazidas pela manhã, tomates com vermelhos distintos, mel e frutos secos fazem parte dos produtos que vende. No mercado o vento de primavera traz consigo o cheiro de outros tantos produtos: coentros, salsa e cebolas fazem uma mistura quase harmoniosa de odores.
Mesmo mercado, outra visão


"Gosto de estar aqui, não pelo dinheiro mas porque gosto de lidar com as pessoas. É aqui que me sinto bem", palavras de Rui Pacheco, 54 anos, que vende no mesmo mercado , é o seu hobby por "amor à camisola". Os clientes da sua banca balançam entre os mais jovens que "estão muito sensíveis ao biológico, são muito exigentes e querem qualidade" aos mais velhos, "por razões de saúde, principalmente". Rui fala timidamente, mas as suas palavras são as de um conhecedor da clientela "aconselham-se muito e confiam" e levam sempre com o testemunho de Rui : "Os químicos não fazem bem ao nosso corpo. Ao ingerimos químicos criamos problemas e o nosso organismo reage mal".


Príncipe Real(mente) biológico

Mais agitado o mercado do Príncipe Real recebe os seus clientes "alfacinhas", e não só, há muitos clientes estrangeiros que nos últimos anos escolheram Lisboa como casa que o frequenta. Numa banca, está Helena Loução, 27 anos, que concluiu os estudos no curso de Design de Comunicação e fundou o projeto "Criatividade ao Lume". O tema é o biológico e apesar de não vender produtos alimentar, faz-nos querer comprá-los através das receitas que cria. O objetivo é "passar a ideia de uma cozinha mais intuitiva, mas também sustentável", através de cartões com desenhos feitos por ela. Helena com um sorriso rasgado diz, "há duas coisas que faço bem, cozinhar e desenhar, então combinei as duas".



De diferentes gerações, Nuno Simões, 45 anos e Fernando Pires, 62 anos estão há vários anos neste mesmo mercado. Nuno explica que os consumidores estão hoje mais "informados e procuram o biológico". Também por a ser uma "forma de estar, um modo de vida".

Já Fernando, agricultor, fala da experiência enquanto cumprimenta os seus clientes habituais, "sempre houve procura nos mercados bio. O do Príncipe Real, como é dos mais antigos é o que está mais enraizado". Fernando conta com humor e quase e em êxtase que alguns chefs conhecidos vêm aqui abastecerem."Acho que o sucesso de muitos deles começa na minha horta".


Pedro, 38 anos, é cliente assíduo do mercado do Príncipe Real chega quase sempre pela manhã, conta, e passeia o seu cão enquanto escolhe os produtos das bancas. "Faço aqui compras porque sou a favor do pequeno comércio e nacional, e pelo sabor, os morangos têm mais sabor não são aguados como noutros locais".

Uma ideia e atitude que está a conquistar os lisboetas, e não só, e que parece ter vindo para ficar, pela nossa saúde. F.Q.

Onde encontrar

Mercado biológico Campo Pequeno

Das 9h00 às 14h00

Mercado biológico do Príncipe Realização

Das 9h00 às 14h00

Ambos sempre aos sábados

dnot@dn.pt

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