Ariya abre as portas da nova era da eletrificação na Nissan

Com espaço cada vez mais reduzido para automóveis com motor de combustão, a Nissan garante que, a partir de 2023, toda a sua gama na Europa será composta por modelos eletrificados. No entanto, as fórmulas serão distintas: haverá 100% elétricos, como o Leaf e os novos Ariya e Townstar, mas também híbridos, incluindo-se aqui diferentes soluções para Juke, Qashqai e X-Trail.

Poucas marcas dispõem de um capital de experiência tão grande nos veículos elétricos como a Nissan. O primeiro Leaf, lançado em 2010, foi pioneiro ao aproximar este tipo de automóveis do público generalista, tendo hoje quase 600 mil exemplares vendidos com uma taxa de satisfação dos clientes a rondar os 98%.

Estes são valores que sustentam a confiança da marca japonesa no seu caminho rumo à eletrificação total, que espera cumprir em solo europeu em 2030 (outros mercados serão "convertidos" mais tardiamente), o que implica também "mexer" nalguns nomes com história: o Micra, por exemplo, não irá passar de 2022, esperando-se depois a chegada de sucessor para o segmento em 2024 com base numa platacarrosforma elétrica criada pela Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

Mais imediata será a chegada ao mercado do novo Ariya, um SUV coupé de 4,6 metros de comprimento e distância entre eixos alongada (2775 mm) para permitir uma habitabilidade bastante apreciável num conjunto com linhas aerodinâmicas, destacando-se na dianteira a grelha de grandes dimensões "V-Motion" com o novo logótipo da Nissan.

Sentados ao volante, com bancos e volante de ajuste elétrico, a revolução continua, graças à presença de dois ecrãs contíguos de 12.3" cada (um para a instrumentação e outro para o sistema multimédia), a par de diversos comandos táteis que substituem a quase totalidade dos elementos físicos, aplicados no próprio revestimento a simular madeira no tablier e consola central. Em termos de conectividade, além dos "habituais" Android Auto e Apple CarPlay, o novo sistema permite também comandos por voz, interação com o Google Home e Amazon Alexa e, também, atualizações "Over-the-Air".

A primeira experiência de condução, no circuito espanhol de Jarama, com diferentes percursos simulados no seu interior, teve por base a versão mais acessível de duas rodas motrizes com 160 kW/215 CV de potência e bateria de 63 kWh, para 403 km de autonomia homologada. Uma versão que se mostra já cativante de conduzir, sobretudo pela rapidez de resposta na entrega da potência e na virtude do binário imediato que lhe permite audácia no andamento. Além disso, o chassis bem-nascido (com base na plataforma CMF-EV) dota-o de agilidade elevada e postura confiante a alta velocidade.

Outras versões irão compor a gama no lançamento: também com tração dianteira, haverá variante de 178 kW/239 CV com bateria de 87 kWh e autonomia para 500 km, ao passo que nas soluções de quatro rodas motrizes (e-4ORCE) haverá versão de 225 kW/302 CV com bateria de 87 kWh para autonomia até 460 km. Outras versões surgirão depois, incluindo uma mais desportiva denominada Performance. O Ariya chegará ao mercado em julho com preços a começarem no intervalo entre os 45.000€ e os 50.000€.

Qashqai e Juke seguem tendência

Mas, a eletrificação abrange outros estilos, com a Nissan a admitir que tenta oferecer uma oferta distinta para diferentes necessidades do cliente europeu. A grande novidade é o sistema e-Power que será estreado em solo europeu com o Qashqai no verão e implementado também no novo X-Trail um pouco mais tarde. Desenvolvida inicialmente no Japão, a tecnologia e-Power foi reconfigurada para as exigências mais altas dos condutores europeus, sendo essencialmente um elétrico "alimentado" a gasolina: dispõe de motor elétrico de 140 kW/190 CV, associado a um motor 1.5 VCR turbo de 156 CV. Porém, este serve apenas de gerador de energia para uma bateria de iões de lítio de 1.5 kWh, com as rodas a movimentarem-se unicamente por meio da energia elétrica. Dessa forma, a marca pretende oferecer as características rítmicas e mais suaves de um veículo elétrico, mas com o motor de combustão a garantir que a bateria nunca fica sem carga. A potência final é de 190 CV (a mesma do motor elétrico), com 330 Nm de binário.

Já o Juke recorre a mecânica híbrida mais convencional, com forte partilha de componentes com os utilizados pela Renault no Captur e no Clio. O sistema é composto por um motor a gasolina de 1.6 litros com 94 CV associado a dois motores elétricos, um de tração com 49 CV e outro que atua como gerador de alta voltagem, sendo a potência conjunta de 143 CV. A marca aponta que cerca de 80% dos percursos urbanos possam ser feitos com recurso apenas o modo elétrico, o que lhe confere uma economia acentuada. A caixa multimodo com diferentes modalidades de funcionamento completa o conjunto que aponta para consumos desde 5,1 l/100 km e emissões de CO2 desde os 117 g/km.

A complementar a oferta de eletrificação estarão o Leaf, com uma ligeiríssima atualização estética para 2023, e o comercial ligeiro Townstar com motor elétrico de 90 kW/122 CV e bateria de 45 kWh para autonomia até 300 km. Sem comprometer a capacidade de carga e funcionalidade, esta é a resposta da Nissan à tendência crescente de limitação da entrada de veículos a combustão nas grandes cidades, que se conjuga com o crescimento cada vez mais acentuado nas compras online.

pjunceiro@globalmediagroup.pt

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