Amazon em português significa Benfica e Kindles mais acessíveis. Mas ainda falta muita coisa

Loja espanhola do gigante americano das vendas online agora está traduzida para português e inclui alguns serviços pensados para o nosso país, incluindo portes grátis a partir de um valor mais reduzido no caso dos livros e marcas nacionais. Mas há ainda muitos serviços Amazon que deixam Portugal de fora.

A Amazon continua sem vir para Portugal. Não tem um único armazém no nosso país, nem pessoal cá diretamente contratado. Este mês, passou a ter o que chamam "Amazon em Português". Na realidade, é pouco mais do que o site espanhol (Amazon.es) traduzido para português europeu. Mas tem alguns produtos e serviços pensados para o nosso país -- o que já não é mau -- deixando no entanto de fora muitas das coisas que fazem a verdadeira experiência Amazon.

Comecemos pela parte boa.

Na "nova" Amazon em português passa a haver portes grátis em compras de livros a partir de 19 euros (em comparação, na Wook o patamar é 15 euros, mas o catálogo de livros estrangeiros é menor). Para os restantes itens mantém-se o já existente patamar de 29 euros em compras para não ter de pagar custos de transporte.

Há agora uma parte da loja inteiramente dedicada a marcas portuguesas, como o Sport Lisboa e Benfica, a Seleção Portuguesa, a Vista Alegre, a Zippy ou a Lanidor. São apenas 18 as marcas representadas, no entanto.

No que toca aos produtos próprios da Amazon, a maior -- e melhor -- novidade é o facto de a loja dos leitores de livros eletrónicos Kindle passar a ser esta.

Na prática, para os clientes portugueses, isto significa duas coisas: quem estiver interessado em adquirir um Kindle deixa de estar obrigado a ir à loja americana e limitado às "versões internacionais" dos aparelhos (que não existem em todos os modelos possíveis); e, quando a Amazon lançar na Europa novos leitores, os clientes nacionais terão acesso a eles ao mesmo tempo que os habitantes dos outros países da UE.

No entanto, continuamos a ​​​​​​não ter a possibilidade de comprar os Kindle mais baratos, financiados através de publicidade no ecrã de descanso -- como acontece com os clientes espanhóis, franceses, britânicos, alemães, austríacos, italianos...

Além disso, para quem já antes tinha um Kindle, não se esqueça de modificar o seu novo dispositivo adquirido em Espanha para os Estados Unidos, uma vez que toda a sua biblioteca comprada até ao momento está lá e a Amazon não a importa para a sua conta na Amazon.es.

É quando começamos a navegar em mais pormenor nesta página "portuguesa" da Amazon que nos vamos sucessivamente deparando com este tipo de situações.

Um país não-Amazon à mesma

"Lamentamos mas não podemos enviar para a sua morada". À data de publicação deste artigo, esta resposta continua a ser muito comum relativamente a vários artigos da loja. Nomeadamente, quanto à maioria dos itens Amazon.

Seja os tablets Kindle Fire ou toda a gama Alexa, a Amazon continua sem abrir oficialmente ao mercado português estes artigos.

O caso da Alexa torna-se ainda mais caricato, uma vez que a gigante norte-americana já vendeu alguns terminais com a sua assistente digital para toda a Europa (incluindo Portugal), isto é, versões "internacionais" do Echo (segunda geração), através da loja alemã (Amazon.de). Hoje, no entanto, esses aparelhos estão descontinuados.

Claro que nada impede um cliente nacional de comprar um aparelho Echo no ebay ou até em vendedores particulares na Fnac.pt, por exemplo, e, através da sua conta Amazon, funcionar com a Alexa em Portugal como se estivesse noutro qualquer país (desde que fale com a assistente numa das línguas suportadas, como o inglês). Mas não deixa de encanitar o facto de a própria marca se recusar a vender-nos os seus produtos.

Da mesma forma, quando tentamos aceder ao Amazon Prime -- a assinatura mensal que permite ter envios mais rápidos sem custos adicionais (além do acesso ao Prime Video, o serviço de streaming que também existe autonomamente em Portugal, com o mesmo nome) -- continua a funcionar exclusivamente para Espanha.

Comprar aqui ou no Reino Unido?

Tradicionalmente, a loja britânica era a preferida dos portugueses, ao ponto de ter chegado, há alguns anos, a ter portes grátis para o nosso país.

O Brexit veio baralhar tudo isto. E a grande confusão que foi a obtenção do acordo comercial entre a União Europeia e o Reino Unido, conseguido mesmo no final do ano (em cima do fim do prazo) só aumentou a confusão, tanto para consumidores como para lojistas.

Atualmente as coisas estão um pouco mais pacíficas, mas, uma vez que o Reino Unido não faz parte da UE, a encomenda pode ser parada para controlo aduaneiro. A própria Amazon prevê isso e cobra depósito, em encomendas mais caras, para pagar o imposto devido, pelo que o processo em princípio será facilitado -- tal como já acontecia nas encomendas internacionais feitas do site americano (Amazon.com).

Se procura um DVD britânico pode pesquisá-lo na loja inglesa, copiar o ASIN e inseri-lo no campo de busca da loja espanhola e, se estiver no catálogo, ele aparecerá logo

Seja como for, há sempre uma forma fácil de escolher qual o melhor site para comprar. Todos os artigos (livros, DVD ou Blu-ray, etc.) têm um número de identificação único. ISBN nos livros, ASIN no caso dos DVD. Se procura um DVD britânico, por exemplo, pode pesquisá-lo na loja inlesa, copiar o ASIN e inseri-lo no campo de busca da loja espanhola (a nova "portuguesa") e, se estiver no catálogo -- não é garantido, infelizmente --, ele aparecerá logo. O preço é que poderá ser mais elevado...

Em conclusão, esta Amazon.es em português é pouco mais do que uma tradução da loja espanhola e, mesmo assim, com variadíssimas falhas (são muitas, para não dizer imensas, as zonas em que o espanhol continua a aparecer). Mesmo com esta operação de charme, Portugal permanece um país na periferia do radar do maior gigante do retalho online do mundo. Já era altura de Jeff Bezos e companhia terem percebido que, nesta relação, com tudo o que lhes demos, já merecíamos um pouco mais de atenção.

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