Verão já começou mas tempo ideal para praia ainda terá de esperar

Nuno Moreira, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), disse ao DN que as temperaturas nas zonas costeiras para as próximas duas semanas deverão estar mais baixas do que o habitual nesta altura do ano

O verão no hemisfério norte começou às 16.54 desta sexta-feira, mas o dia ideal para tirar os calções ou o fato de banho do roupeiro ainda terá de esperar. "Não é expectável que a próxima semana seja boa para praia e há a tendência que a semana a seguir também não seja", disse ao DN o meteorologista Nuno Moreira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Isto porque embora só esteja prevista chuva até segunda-feira, as temperaturas na zona costeira vão estar mais baixas do que é habitual (até três graus, em média) para os últimos dias de junho e primeiros de julho. "Vai chover até segunda-feira, mas não há uma indicação muito clara de como a semana vai ser. Em relação a temperatura, a indicação que temos é para que haja uma anomalia negativa de zero a menos três graus na faixa costeira de todo o território. Só a zona costeira é que terá tendência para ter temperaturas um pouco abaixo do que é habitual para esta altura do ano", explicou o especialista.

Em relação aos três meses de verão, Nuno Moreira avisa que "as previsões de longo prazo têm um baixo grau de confiança". Ainda assim, os sinais atuais apontam para a inexistência de "anomalias - ou seja, de alterações dos níveis habituais - de precipitação para os meses de julho e agosto".

O mesmo se passa com a temperatura, ao contrário do acontece na Europa de Leste. "Há um sinal forte para a Europa de Leste de temperaturas acima do normal nos próximos dois meses, mas o mesmo não acontece na Europa Ocidental, onde o nível de incerteza ainda é muito elevado. Não temos um sinal forte de como vai ser a temperatura e a precipitação na Europa Ocidental. Teremos de esperar por previsões de mais curto prazo, de uma ou de duas semanas", indica o meteorologista.

Alterações climáticas geram verões mais quentes

Embora seja difícil fazer uma previsão, Nuno Moreira relembra que "estamos num cenário de alterações climáticas" e que por isso se prevê que, "no geral, os próximos verões sejam cada vez mais quentes". "Existe uma tendência de temperatura global há várias décadas, mas essa é uma informação muito geral, que se aplica tanto a Portugal como a qualquer zona do globo", sublinha.

Há um mês, o site AccuWeather tinha anunciou ondas de calor no verão para a Península Ibérica, onde as temperaturas poderão atingir os 43 graus Celsius durante vários dias consecutivos. O meteorologista volta a frisar que o "grau de acerto de uma previsão para um mês ou dois é muito baixo", o que não invalida que tal se venha a verificar. "Não temos condições para dizer se vai ser um verão quente ou historicamente muito quente, o que não quer dizer que não venha a acontecer. Mas também pode acontecer o contrário e termos um verão bastante fresco. Só podemos prever a fase da lua e a maré, porque são fenómenos astronómicos", crê o especialista.

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