Vacina chinesa disponível até dezembro a um custo de 120 euros

Terceira fase de testes já está em marcha nos Emirados Árabes Unidos. Responsáveis acreditam que será aprovada e que até ao final do ano poderá começar a ser comercializada.

A vacina chinesa contra a covid-19, da responsabilidade do laboratório Sinopharm, surge neste momento como o projeto em estado mais avançado. Depois de na segunda-feira as autoridades terem aprovado a primeira patente de uma candidata a vacina contra o novo coronavírus, nesta terça-feira foram revelados mais pormenores.

A vacina em causa, de acordo com o presidente do laboratório Sinopharm, poderia começar a ser comercializada já no final deste ano, "provavelmente em dezembro". "Não será muito cara. Contamos que o tratamento completo [que contempla duas vacinas] fique por cerca de 120 euros", referiu o responsável do laboratório em declarações a um jornal local chinês.

Liu Jingzhen, porém, não especificou se esta vacina será incluída no programa gratuito de vacinação estatal. "Nem toda a população da China terá de tomar a vacina", adiantou, garantindo que os grupos prioritários serão os estudantes e os trabalhadores das grandes cidades.

A vacina, já na terceira fase de testes, desenvolvida pelo laboratório Sinopharm em conjunto com o Instituto Científico Militar e pela empresa biofarmacêutica chinesa CanSino Biologics, começou a ser usada no final de junho no Exército chinês, depois de uma equipa liderada pelo pesquisador Chen Wei descobrir um anticorpo monoclonal neutralizante altamente eficiente.

Os resultados da segunda fase de testes clínicos mostraram que é segura e induz uma resposta imune contra o coronavírus, segundo uma investigação publicada no final de julho na revista The Lancet.

De acordo com a patente, a vacina mostrou uma "boa resposta imunológica em ratos e roedores, podendo induzir o organismo a produzir uma forte resposta imunitária celular e humoral em pouco tempo", noticiou o jornal cantonês Southern Metropolis.

Por outro lado, "pode ser produzida em massa num curto período de tempo" e é "rápida e fácil de preparar". A segurança e eficácia devem ser comprovadas na fase três, que vai realizar-se fora do país, segundo o mesmo jornal.

A terceira e última fase, com mais testes em humanos (desta vez em maior quantidade), está a ser realizada nos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de reunir provas que confirmem a eficácia da vacina e que desta forma possa receber aprovação das entidades reguladoras para poder ser utilizada.

De acordo com a Sinopharm, esta terceira fase poderia ficar concluída já no final de agosto, à qual se seguiria uma observação médica em setembro cujos dados definitivos estariam disponíveis em outubro. A partir daqui a vacina poderia então receber o OK oficial para começar a ser comercializada.

A investigação publicada em julho na The Lancet, indicou-se que mais de 500 pessoas foram testadas após os primeiros testes publicados em maio, também com resultados positivos. Contudo, reconhecia que seriam necessários mais testes em humanos na terceira fase para confirmar se esta candidata a vacina protege efetivamente contra a infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

No total, a segunda fase de testes da candidata a vacina, que usa um vírus enfraquecido da constipação comum (o adenovírus tipo 5, Ad5-nCoV), envolveu 508 participantes.

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