"Superfrigoríficos" são solução para transportar a vacina do covid

O planeamento da distribuição mundial da vacina está a dar muita dor de cabeça às empresas de logística. Já se havia estimado que seriam precisos 8 mil aviões Jumbo para transportar todas as ampolas, mas a questão de ter de as armazenar a baixas temperaturas é todo um outro desafio.

É quase certo que até ao final do ano o mundo terá pelo menos duas vacinas contra a covid-19 certificadas pelas autoridades de saúde, mas a partir desse momento um novo desafio abrir-se-á. Como levar o novo produto a quem precisa dele?

Neste caso, ambas as vertentes da resposta são desafios extraordinários. Por um lado, "quem precisa dele" é, grosso modo, toda a população mundial, o que implica não apenas uma produção em massa das vacinas nunca antes vista como também uma rede de distribuição das mesmas que, na realidade, ninguém sabe bem como se há de concretizar -- especialmente nos países em vias de desenvolvimento.

Só meios aéreos, estimou já a A IATA, organização que representa as companhias de aviação, serão necessários o equivalente a 8000 aviões Boeing 747.

Por outro lado, o próprio produto, dada a sua natureza -- sabemos hoje -- implica um tipo de transporte e de armazenamento que levanta muitas dificuldades, mesmo nos países desenvolvidos: a temperatura.

A vacina da Pfizer, que ainda esta quinta-feira o diretor da empresa afirmava estar "muito perto" de solicitar à FDA (o equivalente americano do Infarmed) a utilização, necessita ser armazenada a uma temperatura de 80 graus Célsius negativos (-80ºC) e perde eficácia se passar de uma temperatura de -7'0ºC por quatro vezes, como escreve a BBC.

Ou seja, não é possível ir simplesmente buscar umas quantas caixas de vacinas a um dos laboratórios da empresa (existem nos Estados Unidos, na Alemanha e na Bélgica), metê-los num qualquer camião ou avião e levá-los para, por exemplo, os hospitais.

As empresas de logística que fazem transporte especializado de vacinas admitiram já que terão de se adaptar -- e até comprar novo equipamento.

Isto porque as temperaturas "normais" para os medicamentos refrigerados eram de -7ºC ou -8ºC -- uma ordem de grandeza menor.

Isso mesmo reconheceu há cerca de um mês, em entrevista à BBC, a presidente executiva para o comercial da DHL (uma das empresas de logística mais habituadas a transportar vacinas e outros medicamentos), Katja Busch.

"Atualmente, estamos a fazer uma grande análise de performance para perceber como vamos poder receber as vacinas do fabricante e levá-las até ao local onde a dose tem de chegar, seja um hospital, um médico, seja onde for. Isso significa que teremos de realizar mais [investimentos] em frigoríficos de ultra baixas temperaturas. E já temos muitos", afirmou.

Usar ao fim de cinco dias

Depois de ser trazida a uma temperatura mais próxima do zero, a vacina da Pfizer pode ser administrada num período máximo de cinco dias, segundo escreve a Reuters.

É possível prolongar este prazo mantendo as ampolas refrigeradas em gelo seco -- deverão aguentar até 15 dias nestas condições -- mas de cada vez que se abrir o contentor para retirar novas doses tal fará subir a temperatura do mesmo e porá em causa a conservação do lote.

Enormes desafios que durante o próximo ano tanto empresas como governos terão de enfrentar para conseguirem levar até às pessoas o remédio para a pandemia.

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