Regulador de saúde dos EUA interrompe ensaios clínicos da vacina da Inovio

A FDA quer mais esclarecimentos da farmacêutica, em especial sobre um dispositivo eletrónico através do qual seria injetado material genético nas células.

O regulador de saúde dos Estados Unidos suspendeu os planos da Inovio Pharmaceuticals Inc de iniciar os testes finais da sua vacina contra o coronavírus. A agência norte-americana pediu mais informações à farmacêutica, incluindo detalhes sobre um dispositivo a ser usado para injetar material genético nas células, informa a agência Reuters.

As ações da farmacêutica Inovio, a segunda empresa com melhor desempenho no índice de biotecnologia Nasdaq durante este ano, até sexta-feira passada (subiram mais de 400% em 2020), caíram 33% antes do sino de abertura em Wall Street. A empresa esperava iniciar as fases finais dos seus ensaios clínicos já neste mês.

Segundo a Reuters, a farmacêutica explicou em comunicado, esta segunda-feira, que a "pausa parcial dos ensaios clínicos" imposta pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos não ficou a dever-se a quaisquer efeitos secundários adversos registados durante a primeira fase dos ensaios clínicos da vacina, que estão em andamento, ao contrário do que aconteceu com a vacina da Astra Zeneca e da Universidade de Oxford.

A Inovio adiantou que responderá às perguntas do FDA em outubro, após o que a agência de saúde norte-americana terá 30 dias para decidir se os ensaio devem ou não prosseguir.

A empresa planeava administrar a vacina aos participantes no ensaio através de um dispositivo eletrónico chamado Cellectra. Para isso, a Inovio recebeu até 71 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros) em financiamento do Departamento de Defesa dos EUA, para acelerar a produção em escala do Cellectra.

A empresa avançou em junho resultados encorajadores da fase inicial dos ensaios clínicos em humanos. Em agosto, a Inovio revelou que iria começar a testar a vacina, INO-4800, nas fases intermédia a avançada dos ensaios, após obter a aprovação da FDA.

O programa de desenvolvimento da Inovio já está atrasado em relação a rivais como a Moderna Inc, a Pfizer Inc e a AstraZeneca, todas os quais iniciaram já as fases avançadas dos ensaios clínicos das respetivas vacinas candidatas contra o coronavírus.

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