Porque é que os cientistas não conseguiram prever o tsunami de Palu?

O alerta de tsunami tinha sido levantado e a população não estava preparada para o tsunami que atingiu a Indonésia na sexta-feira passada.

O sismo de magnitude de 7.5 na escala de Richter ocorrido na sexta-feira na Indonésia foi um dos mais intensos registados este ano em todo o mundo. Mas as ondas de 6 metros que atingiram a cidade de Palu surpreenderam os cientistas. O alerta de tsunami chegou a soar nas ilhas na sexta-feira à tarde, mas foi depois levantado porque a área foi considerada segura. Pouco depois, a população foi surpreendida pelas ondas que provocaram enorme destruição e mais de mil mortos.

Aparentemente, os cientistas não conseguiram prever um tsunami desta gravidade e estão agora à procura de explicações, uma vez que os cálculos iniciais sugerem que houve um deslocamento do solo de cerca de meio metro - significativo, mas geralmente insuficiente para produzir as ondas que foram registadas.

"Os meus primeiros cálculos da deslocação do solo aquático neste terramoto são 49 centímetros", disse à BBC Mohammad Heidarzadeh, professor da Universidade de Brunel no Reino Unido. "De um deslocamento desses poderíamos esperar um tsunami de menos de um metro, não de seis metros. Alguma coisa aconteceu."

"Esperávamos um tsunami, mas não um tão grande", afirmou ao The New York Yimes Jason Patton, geofísico na Universidade de Humboldt, na Califórnia.

Existem duas explicações possíveis:

A primeira é a suspeita de que o terramoto provocou um deslizamento de terras submarino. Um sismo pode desestabilizar grandes blocos de sedimentos e fazer com que estes se libertem. Em áreas montanhosas, as avalanches de rochas e sedimentos são um dos principais riscos dos terramotos. Mas, debaixo de água, esse movimento de sedimentos têm o potencial de gerar tsunamis. Quando isso acontece, as ondas que atingem a costa podem ser grandes.

Por outro lado, talvez as ondas tenham sido exacerbadas pela forma da baía de Palu, que se localiza a cerca de 80 quilómetros do epicentro do sismo e tem uma geometria alongada, o que ao comprimir a água que poderá ter amplificado as ondas à medida que eles se aproximaram da praia de Talise.

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