Perda da biodiversidade pode levar à extinção da espécie humana

ONU alerta que desde 1970, a humanidade perdeu 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis. Responsável da ONU diz que a perda de biodiversidade é um "assassino silencioso".

Se a perda de biodiversidade não for travada, a humanidade pode enfrentar a sua própria extinção. Quem faz o alerta é Cristiana Pasca Palmer, diretora executiva da Convenção das Nações Unidas sobre biodiversidade, que neste mês reuniu 196 estados membros em Sharm el Sheikh, no Egito, para discutir a destruição dos ecossistemas

"A perda de biodiversidade é um assassino silencioso", disse ao The Guardian, realçando que "é diferente das alterações climáticas, cujo impacto é sentido pelas pessoas no dia-a-dia". Com a biodiversidade, explicou, o mesmo não acontece, pelo que, quando as pessoas começam a sentir o que está a acontecer, já pode ser tarde de mais.

A responsável pela área da biodiversidade da ONU alertou para a necessidade de o mundo traçar um novo acordo sobre a natureza nos próximos dois anos, ou poderá vir a assistir à sua própria extinção.

Na opinião da responsável, a população tem de pressionar os seus governos para traçarem metas ambiciosas para proteger insetos, pássaros, plantas e mamíferos, o que culminará num acordo global celebrado na Conferência de Pequim, em 2020.

O objetivo é chegar a um acordo de biodiversidade que tenha o mesmo peso do acordo de Paris para as alterações climáticas, já que os dois últimos nesta área - em 2002 e 2010 - não tiveram o resultado pretendido.

Há oito anos, lembra o Guardian, quando foi celebrado o Protocolo de Aichi, as nações comprometeram-se a reduzir para metade a perda de habitats naturais, garantir a pesca sustentável em todas as águas e expandir as reservas naturais de 10 a 17% até 2020. Mas uma boa parte dos estados-membros falharam no cumprimento das metas.

Pasca Palmer considera que há esperança: embora a maioria das espécies na África e na Ásia estejam em declínio, algumas recuperaram; a cobertura florestal na Ásia cresceu 2,5%; e as áreas marítimas protegidas aumentaram.

No entanto, no geral, o cenário é preocupante. Existem elevadas perdas de biodiversidade causadas pela destruição de habitats, poluição química e problemas com espécies invasoras, que deverão aumentar devido às alterações climáticas. Em África, é expectável que se percam metade das aves e mamíferos até 2050. Com a perda de plantas e vida marinha, a capacidade de a Terra absorver carbono será reduzida, o que criará um ciclo.

"Os números são preocupantes", diz a ex-ministra do ambiente da Roménia. "Espero que não sejamos a primeira espécie a documentar a sua própria extinção".

De acordo com um relatório produzido pela World Wildlife Fund (WWF), conduzido por 59 países, a humanidade perdeu 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis desde 1970.

Entre os motivos de esperança, Pasca Palmer destaca a colaboração entre especialistas em alterações climáticas e em biodiversidade, que realizaram a primeira reunião juntos.

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