Papa pede "medidas concretas e eficazes" para "curar feridas graves" da pedofilia

Na abertura do encontro com bispos de todo o mundo, no Vaticano, Francisco sublinhou "o peso da responsabilidade pastoral e eclesial" de cada um para "enfrentar este mal que aflige a Igreja e a humanidade".

O Papa Francisco pediu esta quinta-feira de manhã "medidas concretas e eficazes" para atacar a mancha dos abusos sexuais de menores que atinge a Igreja Católica. "Convoquei-vos para que todos juntos escutemos o grito dos pequenos que pedem justiça", disse, sublinhando o caráter inédito da reunião.

Numa intervenção, que já se sabia ser breve, na abertura do encontro com presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, no Vaticano, Francisco sublinhou que "o peso da responsabilidade pastoral e eclesial" - que "está nos nossos corações" - leva-os "a discutir juntos, de maneira sinodal, sincera e profunda, como enfrentar este mal que aflige a Igreja e a humanidade".

Foi neste momento que deixou o desafio: "O povo santo de Deus olha para nós e espera de nós, não apenas condenações simples e sem valor, mas medidas concretas e eficazes para atuar. Vocês têm que ser concretos."

Tomando algumas das reflexões previamente discutidas pelos bispos, antes do encontro, o Papa partilhou algumas dessas linhas de debate, pedindo que elas "não diminuam a necessidade de criatividade que deve vir" de cada um dos presentes no encontro.

E deixou um desafio, em jeito de oração: "Que a Virgem Maria nos ilumine para tentar curar as feridas graves que os escândalos de pedofilia têm causado nos pequenos e nos crentes."

No encontro participam 190 representantes da Igreja, entre cardeais, bispos e religiosos. De acordo com dados da organização desta reunião sobre "a proteção de menores na Igreja", estão presentes 114 presidentes de conferências episcopais de todo o mundo, 14 responsáveis das igrejas católicas orientais, 15 bispos ordinários, 22 superiores de congregações religiosas femininas e masculinas, dez prefeitos dos dicastérios do Vaticano, quatro membros da Cúria romana e cinco do Conselho de Cardeais, para além de organizadores e moderadores.

Até domingo, estes participantes vão ouvir nove intervenções de responsáveis da Igreja, incluindo três mulheres. A nigeriana Veronica Openibo, a mexicana Valentina Alazraki e a italiana Linda Ghisoni intervêm juntamente com arcebispos e cardeais de diferentes partes do mundo.

Esta quinta-feira, os primeiros a interpelarem os bispos de todo o mundo são o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, Charles Jude Scicluna, arcebispo de Malta e secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé e o cardeal colombiano Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá.

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