"O Salvador está estável, já sem necessidade de ventilação"

O bebé Salvador nasceu saudável e deverá deixar o hospital daqui a um mês. Já não necessita de suporte respiratório.

"O Salvador está estável, com boa evolução e já sem necessidade de ventilação mecânica invasiva". A informação foi avançada esta sexta-feira, ao final da manhã, pelo Centro Hospitalar São João, onde o filho de Catarina Sequeira, a canoísta de 26 anos que está em morte cerebral desde dezembro, nasceu na quinta-feira, às 4.32, com 1,7 quilos e 40 centímetros, às 31 semanas e 6 dias de gestação.

A jovem canoísta de Gaia foi mantida viva para que o seu filho pudesse nascer. O parto estava inicialmente programado para esta sexta-feira, mas os médicos viram-se obrigados a antecipá-lo.

Tal como o DN noticiou, era meia-noite e meia de quinta-feira quando o serviço de Cuidados Intensivos do Hospital de São João detetou que o corpo de Catarina Sequeira, em morte cerebral há 56 dias mas com um bebé no ventre, estava a sentir dificuldades.

"Foi repentino, durante a noite. Ela estava nos cuidados intensivos e rapidamente foi detetado. Falaram com a obstetrícia, que foi ver como estava o bebé. Tinha sido avaliado às 21.00 e depois da meia-noite já não estava tão bem, dava sinais de que estava a sofrer. Pensando no melhor para o bebé, decidiu-se que mais valia terminar a gravidez, até porque era um dia antes do planeado e não fazia grande diferença em relação ao previsto", explicou ao DN Marina Moucho, diretora do serviço de obstetrícia do hospital portuense.

A decisão foi avançar com o plano estabelecido de fazer o parto no dia das 32 semanas e, se surgisse alguma dificuldade, nos dias anteriores, fazia-se a cesariana. "Mal se pôs a hipótese de ele nascer, chamou-se o pai. Na altura em que o bebé nasceu, às 04.32, estavam o pai do bebé e dois irmãos da mãe a assistir", acrescentou a médica, realçando que "o bebé não estava em sofrimento agudo".

A cesariana correu de forma normal, "foi fácil". "O bebé teve algumas dificuldades em respirar, o que é normal. Neste caso, a mãe estava muito medicada." A diretora do serviço explicou que "a mãe começou a ter alguma dificuldade de ventilação, a oxigenar um pouco pior, e ao baixar o oxigénio na mãe o bebé também fica mal oxigenado. Começou a dar alguns sinais de que estava realmente a sofrer".

Catarina Sequeira sofreu um ataque agudo de asma às 12 semanas de gravidez, em dezembro do ano passado. Ficou em coma induzido no Hospital de Santos Silva, em Gaia, e acabou por entrar em morte cerebral, numa altura em que o bebé, o seu primeiro filho, teria 19 semanas.

A jovem foi levada para para os cuidados intensivos do Hospital de São João, onde permaneceu até esta quinta-feira, em suporte orgânico até se atingirem as condições de maturidade fetal necessárias para a realização do parto.

O corpo de Catarina Sequeira já foi entregue à família, que fará o funeral nesta sexta-feira às 15.00.

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