Medicamento para tonturas é esperança para salvar os pulmões com covid-19

Já existe desde 1970 e irá agora ser testado, em Miami, em doentes com o novo coronavírus. Pode ser um tratamento eficaz para reduzir a mortalidade e as infeções nos pulmões.

Um hospital de Miami será o primeiro a realizar testes em humanos para determinar se um medicamento com meio século, usado para tratar vertigens e tonturas, pode "reduzir hospitalizações, mortalidade e danos pulmonares" em doentes com covid-19, disse Christopher Moreau, diretor executivo da Algernon Pharmaceuticals do Canadá.

O medicamento, Ifenprodil (NP-120), foi identificado neste ano pela Universidade do Texas em Dallas como um possível tratamento eficaz para o novo coronavírus e "pode ​​até reverter a doença", afirmou Moreau à agência de notícias Efe. Começará a ser fornecido no Westchester General Hospital, em Miami, o primeiro em cinco cidades dos Estados Unidos a testá-la após a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), explicou Moreau.

"A diversidade étnica é muito útil em testes em humanos, especialmente num estudo de fase 3, que é a fase de aprovação de pré-comercialização", disse o executivo. Realçou que estes dados recolhidos na multicultural Miami "serão úteis para confirmar que o tratamento tem um efeito generalizado na população".

"Esperamos ver uma redução significativa na taxa de mortalidade, no tempo de permanência no hospital e uma redução dos danos pulmonares gerados ​​pela infeção", disse. "Também temos esperança de que reduza os efeitos graves da tosse, que é outro fator em pacientes com covid-19", disse o executivo da Algernon Pharmaceuticals. Esta empresa canadiana centra-se na reutilização de drogas, com pesquisa de medicamentos seguros e aprovados para aplicações em novas doenças.

Moreau explicou que foram encontrados "resultados muito promissores" do Ifenprodil contra a gripe aviária H5N1, "a gripe mais letal do mundo", num estudo independente conduzido por um grupo de cientistas chineses com ratos infetados. Lembrou que o H5N1 tem mortalidade de mais de 55%, enquanto a covid-19 é de 1% a 3%. "Os resultados foram muito convincentes, com o Ifenprodil a reduzir a mortalidade em 40% e a atenuar a lesão pulmonar aguda e a inflamação no tecido pulmonar."

Nesse sentido, o especialista disse que "se o Ifenprodil estava a funcionar tão bem com a gripe aviária mais letal do mundo, talvez possamos ver um resultado semelhante na covid-19, que é menos mortal".

O Ifenprodil foi originalmente desenvolvido pela Sanofi, de França, no início dos anos de 1970 como um tratamento para um distúrbio da circulação sanguínea. No entanto, acabou por ser aprovado no Japão e na Coreia do Sul como uma droga neurológica para tratar tonturas e vertigens, mas, "com base no seu mecanismo de ação", a Algernon determinou que também pode tratar "doenças pulmonares graves".

Agora, a farmacêutica canadiana entrou com novos direitos de propriedade intelectual em todo o mundo para NP-120 (Ifenprodil) para o tratamento de doenças respiratórias e trabalha para desenvolver uma fórmula injetável.

A dúvida sobre as vacinas

Por outro lado, Moreau expressou preocupação com o rápido desenvolvimento de vacinas contra a covid-19. "Se vão desenvolver algo para dar a milhões de pessoas, é melhor saberem o que estão a fazer, e isso leva tempo", salientou, aludindo às palavras do CEO da Merck, Kenneth Frazier, que descreveu que apenas sete vacinas "verdadeiramente novas" foram desenvolvidas nos últimos 25 anos.

Além disso, o canadiano disse que já existe um problema com as pessoas relutantes em usar máscaras e opinou que muito menos vão querer uma vacina, especialmente uma que tenha sido apressada. "A natureza humana é encontrar uma solução rápida que elimine um problema. No entanto, podemos ter de aceitar uma abordagem diferente, como o HIV, que é tratado com um cocktail de drogas ", disse.

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