Máquinas já conseguem igualar profissionais de saúde nos diagnósticos médicos

É mais um passo na discussão sobre as potencialidades da inteligência artificial e como pode ou não substituir os humanos. Os autores do estudo garantem que não: "na melhor das hipóteses, pode ser equivalente".

Uma nova investigação sugere que a Inteligência Artificial (IA) é tão capaz de interpretar imagens médicas como os especialistas médicos e daqui fazer diagnósticos, através um algoritmo especializado. Segundo o The Guardian, as conclusões do estudo entusiasmaram alguns profissionais da área, que dizem ser uma oportunidade para o alívio de recursos, libertando tempo para os médicos fomentarem a sua relação com o paciente, em vez de passarem horas dedicados ao diagnóstico. Mas há médicos que alertam para o facto de a descoberta estar baseada numa amostra reduzida de outros estudos, numa área repleta de investigações de fraca qualidade.

Interpretar radiografias através de IA é um campo em expansão e tem sido apontada como uma abordagem promissora para a medicina, na deteção de doenças cancerígenas e oculares. De acordo com a investigação, publicado na revista científica The Lancet Digital Health, é através de algoritmos, inseridos nas imagens, que as máquinas ganham capacidade para ler e classificá-las.

O trabalho é baseado numa série de estudos sobre o tema feitos até à data. Mais propriamente 20 mil, de entre os quais apenas 14 foram selecionados como sendo de boa qualidade - com dados fiáveis e análise aprofundada. Segundo os autores, os estudos revelaram que as máquinas conseguiram detetar as doenças corretamente em 87% das vezes, enquanto os profissionais de saúde acertaram 86%. No entanto, estes últimos entraram em, sem terem acesso a informação prévia adicional sobre o paciente, como acontece normalmente.

"Existem muitas opiniões sobre Inteligência Artificial que a acusam de ultrapassar os humanos, mas a nossa mensagem é que pode, na melhor das hipóteses, ser equivalente"

Sobre as dúvidas que comparam a habilidade de humanos e máquinas para concretizar este processo com sucesso, a investigação responde que ambos estão em pé de igualdade. Os autores dizem que esta é a primeira análise realmente abrangente sobre o assunto.

Um dos coautores, Alastair Danniston, da fundação University Hospitals Birmingham NHS, conclui que os resultados foram animadores, mas foi sobretudo uma chamada de atenção sobre a influência da IA.

Uma opinião reiterada pelo principal autor do estudo, XIaoxuan Liu, também da fundação. "Existem muitas opiniões sobre Inteligência Artificial que a acusam de ultrapassar os humanos, mas a nossa mensagem é que pode, na melhor das hipóteses, ser equivalente", disse.

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