Mais alojamento para estudantes em Lisboa. Ano letivo arranca com 186 novas camas

A Universidade de Lisboa estreia este ano a nova Residência Universitária da Ajuda, com cerca de duas centenas de camas. A falta de respostas ao alojamento de estudantes do ensino superior "ainda é a grande questão" para os jovens que escolhem as universidades dos grandes centros urbanos, lembra a presidente da Federação Académica de Lisboa.

O ano letivo 2019/2020 vai arrancar com mais 186 camas para estudantes universitários em Lisboa, segundo um comunicado da Reitoria da Universidade de Lisboa ao qual o DN teve acesso. Juntam-se às quase duas mil já existentes na capital e serão disponibilizadas com a abertura da nova Residência Universitária da Ajuda, que numa segunda fase, já em concurso, irá disponibilizar um total de 300 camas.

"Esta residência será um importante contributo para dar resposta à necessidade de alojamento de estudantes em Lisboa", num campus universitário onde atualmente tem concentrados cerca de nove mil estudantes, lê-se. Trata-se da primeira de um conjunto de residências que a Universidade de Lisboa pretende construir nos próximos anos.

A nova habitação estudantil integra o Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior (PNAES), que prevê a duplicação das camas atualmente existentes a nível nacional (atualmente 15370) até 2030. Um projeto lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com intervenção em 42 concelhos.

A primeira fase do PNAES decorre ao longo de quatro anos em todo o país e implicará um aumento de 80% do total da obra já existente, mais cerca de 12 mil camas. Sete mil destas estão previstas para a Área Metropolitana de Lisboa, onde outras 500 já existentes serão também objeto de melhorias. O concurso para a 2.ª fase deste projeto prevê pelo menos mais 121 camas para Lisboa, incluindo dois quartos adaptados.

Ainda na capital, está prevista a afetação de imóveis devolutos do Estado ao Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado. Como é o caso do edifício da 5 de Outubro, cujo projeto está já a decorrer para que ali passem a ser disponibilizadas mais 600 camas a estudantes do ensino superior.

A escassez de oportunidades em residências para o elevado número de estudantes que todos os anos afluem aos grandes centros urbanos faz do aluguer de quartos a única solução. Mas raramente viável, devido aos elevados preços praticados na cidade. Segundo os últimos dados da Uniplaces, plataforma online de alojamento, relativos a 2018, a renda média de um quarto em Lisboa situou-se nos 485 euros

O alojamento estudantil "ainda é a grande questão" para os jovens que estão ou pretender entrar no ensino superior, acrescenta Sofia Escária, presidente da Federação Académica de Lisboa. A capital continua "a não conseguir colmatar as necessidades dos estudantes", garante, em entrevista ao DN.

Em 2017, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior apontava mais de 27 mil deslocados a entrar no Ensino Superior em Lisboa, para os quais só haveria duas mil camas a nível público.

A Residência Universitária da Ajuda será inaugurada no próximo dia 23 de julho, às 10:30. Uma cerimónia que contará com a presença do reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, bem como do primeiro-ministro António Costa e do Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

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