Hepatite C. Organização Mundial da Saúde elogia mudança nas prisões portuguesas

OMS dá destaque à medida que prevê a ida de médicos às cadeias para acompanhar doentes com hepatites e VIH

A Organização Mundial da Saúde elogia Portugal por querer curar todos os presos com Hepatite C até 2020. A OMS dá destaque na página online da sua delegação europeia à notícia sobre o novo modelo de cuidados de saúde nas cadeias portuguesas, apresentado há duas semanas e que prevê que sejam os médicos a deslocarem-se às prisões para acompanhar reclusos com VIH e hepatites.

Até aqui, eram os presos que iam aos hospitais para terem consultas de especialidade. Mas o que se percebia era que na prática, consequência dos cuidados exigidos com a segurança, existiam muitos obstáculos no acesso da população prisional à saúde.

Agora, os reclusos passam a ter as consultas na prisão, assim como análises e outros exames, para evitar idas sucessivas ao hospital. "Portugal está na linha da frente em termos internacionais no acesso à saúde nas prisões", destaca Carina Ferreira-Borges, responsável pelo programa de saúde prisional dentro da OMS.

Portugal começou a usar medicamentos inovadores em doentes com hepatite C em 2014 - num processo que, consequência do preço elevado dos tratamentos, começou de forma atribulada ainda no tempo de Paulo Macedo - e espera curar todas as pessoas que vivem com a doença.

"A OMS considera a eliminação da hepatite C como uma prioridade à escala global", lembra o texto publicado no site da organização, que sublinha ainda que "o sistema de saúde português reconhece o meio prisional como uma oportunidade de saúde pública, já que o período de reclusão pode ser usado para tratar doenças infecciosas que em pessoas que de outra forma teriam acesso limitado a ciclos de tratamento sem interrupções, devido a situações de pobreza ou vulnerabilidade social".

Os médicos - infeciologistas, gastrenterologistas e internistas - passam a deslocar-se a 45 cadeias do continente

Os protocolos no âmbito do tratamento das infeções por VIH e das hepatites virais na população prisional foram assinados entre a Direção-Geral da Reinserção e dos Serviços Prisionais e 28 instituições hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. Vão permitir que os médicos - infeciologistas, gastrenterologistas e internistas - passem a deslocar-se a 45 cadeias do continente.

Em Portugal, de acordo com os dados mais recentes avançados pelo Ministério da Justiça, 4,5% da população reclusa está infetada com VIH, 1,2% tem hepatite B e 10,1% tem hepatite C.

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