Greve. Ordem dos Enfermeiros afasta risco de vida para os doentes

A garantia foi dada após uma reunião com os sindicatos que convocaram a greve e com os enfermeiros diretores dos cinco hospitais onde decorre a paralisação

A Ordem dos Enfermeiros garantiu esta terça-feira que não houve nenhuma situação durante a greve em blocos operatórios que tenha posto em risco a vida de doentes.

"Não há nenhuma situação que tenha colocado em risco a vida de ninguém", afirmou a bastonária da ordem, Ana Rita Cavaco, aos jornalistas no final de uma reunião que teve em Lisboa com os sindicatos que convocaram a greve e com os enfermeiros diretores dos cinco hospitais onde decorre a "greve cirúrgica".

A bastonária lamentou que tenham sido proferidas afirmações para tentar denegrir a imagem dos enfermeiros.

A este propósito, Ana Rita Cavaco adiantou, por exemplo, que no hospital Santa Maria foram operadas 30 crianças desde o início da greve.

No final da semana passada, a administração do hospital referiu que nenhuma criança tinha sido ainda operada desde o início da greve dos enfermeiros.

A bastonária explicou que a reunião com os sindicatos e com os enfermeiros diretores dos cinco hospitais afetados pelo protesto serviu essencialmente para perceber como está a situação nos hospitais e para esclarecer como estão a decorrer os serviços mínimos.

Segundo a Ordem, os enfermeiros estão a trabalhar além dos serviços mínimos que o tribunal arbitral decretou para esta greve.

"Espero que não haja outra classe profissional a tentar amedrontar as pessoas e a tentar cavalgar uma greve que não é deles, é dos enfermeiros", afirmou Ana Rita Cavaco.

Embora a bastonária não se tenha referido diretamente aos médicos quando falou de outra classe profissional, a Ordem dos Médicos disse já na semana passada que havia doentes graves e prioritários que estavam a ser prejudicados pela greve dos enfermeiros.

Bastonária considera inaceitável que o Governo não queria negociar

Ana Rita Cavaco respondeu ao primeiro-ministro, que considerou a greve dos enfermeiros inaceitável, afirmando que "o que não é aceitável é que o Governo não queira negociar".

O Ministério da Saúde suspendeu as negociações com os dois sindicatos que convocaram a greve em blocos operatórios quando a paralisação começou.

"Se há uma ministra que negoceia com os sindicatos dos estivadores em greve, e bem, certamente a ministra da Saúde poderá fazer o mesmo, estando dentro do mesmo Governo", declarou

A "greve cirúrgica" dos enfermeiros, que se iniciou a 22 de novembro e termina a 31 de dezembro, está a decorrer nos blocos operatórios do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), no Centro Hospitalar Universitário do Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e no Centro Hospitalar de Setúbal.

Os enfermeiros têm apresentado queixas constantes sobre a falta de valorização da sua profissão e sobre as dificuldades das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde, pretendendo uma carreira, progressões que não têm há 13 anos, bem como a consagração da categoria de enfermeiro especialista.

A paralisação foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os colegas que aderissem à paralisação.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse que as cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros, vão ser reagendadas a partir de 1 de janeiro de 2019, tendo hoje admitido recorrer aos hospitais privados caso o Serviço Nacional de Saúde não consiga responder a todas as situações.

Movimento anuncia nova greve

A greve dura há mais de duas semanas e cerca de seis mil cirurgias foram adiadas, segundo disse à TSF Carlos Ramalho, presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), uma das duas estruturas sindicais que convocou a ação de protesto.

Entretanto, o movimento de enfermeiros que esteve na base desta greve prolongada fez saber que vai avançar com uma nova "greve cirúrgica". Na rede social Facebook anunciou uma nova recolha de fundos que pretende chegar aos 400 mil euros.

Na página de Facebook "Greve Cirúrgica", os enfermeiros avisam: "consideramos que a nossa luta não vai poder ficar por aqui e como tal temos que ir preparando aquela que vai ficar conhecida como a 'Greve cirúrgica 2'! Essa sim mais agressiva e expressiva".

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