Dez segundos de suspense: sonda da Nasa num "toca e foge" com asteroide Bennu

A sonda tem o tamanho de uma pequena carrinha e terá apenas o espaço de três lugares de estacionamento para tocar com o seu braço robótico de mais de três metros e recolher cerca de 60 gramas de material da superfície -- a maior amostra desde o programa Apolo na Lua. Se tudo correr bem, deverá regressar à Terra em setembro de 2023.

Quatro anos depois de ter sido lançada e dois anos após ter chegado ao asteroide Bennu, a sonda Osiris-Rex da NASA está preparada para o seu maior desafio esta terça-feira à noite. Serão dez segundos de suspense, numa missão de "toca e foge", durante a qual se irá aproximar do asteroide e com o braço robótico recolher material no seu solo para poder trazer de volta à Terra.

Siga aqui em direto a tentaiva de recolha do material no solo do asteroide Bennu:

A sonda tem o tamanho de uma pequena carrinha de 15 lugares e o asteroide tem 490 metros de diâmetro -- e viaja a cem mil quilómetros por hora, em constante rotação. Mas, ao contrário do esperado, a sua superfície não é arenosa. Pelo contrário, está cheia de obstáculos. E a Osiris-Rex terá apenas o equivalente a alguns lugares de estacionamento para a arriscada missão, cujo objetivo é dar mais informações sobre a origem do sistema solar.

Lançada a 8 de setembro de 2016, a sonda chegou ao seu destino a 3 de dezembro de 2018. O asteroide Bennu tinha sido escolhido porque os investigadores da agência espacial norte-americana acreditavam com base em observações por telescópio, que era coberto de areia, "como uma praia", o que garantiria uma operação de amostragem sem muitos riscos

Mas as imagens que a sonda enviou ao aproximar-se do asteroide mostraram que, na realidade, estava coberto de rochas. "A superfície é áspera, íngreme e rochosa", descreveu o cientista Dante Lauretta, da Universidade de Arizona, responsável pela missão.

Os investigadores passaram então o ano de 2019 a cartografar a superfície do asteroide para escolher o lugar mais seguro para fazer a recolha de amostras de solo, optando finalmente pela cratera 'Nightingale', perto do polo norte do asteroide.

A sonda vai aproximar-se lentamente de Bennu (a manobra deverá durar 22 minutos), estenderá um braço de cerca de três metros para a recolha de amostras, tendo como alvo uma área de oito metros de diâmetro bastante plana e com quatro locais para pouso.

"Anos de preparação e de trabalho duro desta equipa vão resumir-se a este contacto com o solo durante cinco a dez segundos", explicou Mike Moreau, chefe de projeto adjunto na NASA.

Ao tocar no asteroide, o robô vai soprar nitrogénio comprimido para soltar o solo, com as amostras a serem recolhidas pelo braço da Osirix-Rex. O objetivo é colher uma amostra de pelo menos 60 gramas. O nitrogénio ajudará também a lançar a sonda de volta para uma órbita segura.

A operação é especialmente complicada porque os engenheiros não podem garantir uma precisão absoluta a 334 milhões de quilómetros de distância -- qualquer sinal demora cerca de 18,5 minutos a chegar à Terra, o que impede que a sonda possa ser "controlada" em direto. A sequência será feita automaticamente, com a Osirix-Rex a poder cancelar a operação caso se encontre em risco. Os primeiros sinais de como as coisas correram deverão chegar à Terra pelas 22:12 GMT (mais uma hora em Lisboa).

Caso a missão fracasse, a NASA poderá realizar uma segunda tentativa em janeiro de 2021 noutra cratera. Mas se tudo correr como previsto, em março de 2021 a sonda iniciará a viagem de regresso, lançando o contentor com as amostras de paraquedas a 24 de setembro de 2023, sob o deserto do Utah.

Antes, os cientistas vão estudar as amostras de outro asteroide, o Ryugu, colhidas pela sonda japonesa Hayabusa 2 no ano passado. Deverá chegar à Terra a 6 de dezembro deste ano.

Mais Notícias