Covid-19 faz aumentar queixas na saúde, mais nos privados

Mais de seis mil queixas no setor da saúde foram registadas no Portal da Queixa (mais 71 % que em 2019). O pagamento de kits de proteção à covid-19, dificuldade em marcar consultas e venda de máscaras lideram os protestos, que visam sobretudo os privados.

O Portal da Queixa registou este ano mais pessoas a reclamarem dos serviços de saúde. Entre 1 de janeiro e 9 de novembro, foram recebidas 6103 queixas, um aumento de 71% em relação ao mesmo período de 2019 (3573).

Outra conclusão desta rede de consumidores, é que os residentes em Portugal têm mais razões de queixa do privado que do público. Este ano, 3962 (64,9 % do total) recorreram ao Portal da Queixa para denunciar deficiências nos estabelecimentos de saúde privados.

Muitas das novas queixas estão relacionadas com a covid-19, com uma em cada cinco pessoas (1305) a queixar-se de problemas relacionados com esta doença. A pandemia trouxe novos problemas e agravou muitos dos existentes. Os utentes reclamam sobretudo de dificuldade em marcar consultas nos centros de saúde e, também, do pagamento de um kit de proteção nos privados. O rastreio ao SARS-Cov-2 gerou 27% das reclamações contra os laboratórios de análises clínicas.

Pedro Lourenço, o administrador do Portal da Queixa e fundador da Consumers Trust, sublinha o número elevado de queixas do privado, que "continua a não ser uma alternativa viável para a maioria das famílias portuguesas". Um dos principais problemas "é a cobrança de valores exagerados na faturação pós-prestação do serviço", e que obriga os potenciais clientes do setor a sacrificarem-se na espera de consulta através do Serviço Nacional de Saúde (SNS)..

No SNS, Pedro Lourenço considera que o aumento das taxas de insatisfação de ano para ano não demonstram "melhorias contínuas no serviço prestado". Uma subida no número de queixas neste portal que está em contraciclo com a "redução do número de reclamações através dos canais do estado, nomeadamente no Livro Amarelo e de Reclamações", o que, critica, se deve à "desacreditação no regulador".

Entre os serviços de saúde prestados à população portuguesa, os consumidores reclamam mais planos e seguros de saúde (1261), das farmácias (932), dos hospitais e maternidades (930) e dos grupos de saúde privados (824).

É de salientar que as farmácias registam uma subida de 231 % de descontentes em 2020 comparativamente a 2019, muitas delas por causa das máscaras e gel desinfetante.

Marcar consulta e fatura

Nos estabelecimentos públicos, a principal dificuldade dos utentes é marcar uma consulta nos centros de saúde (56% do total de queixas registadas nesta área). Nos hospitais lidera o mau atendimento, 21% das reclamações.

No privado, os consumidores queixam-se da faturação errada (43%), da cobrança de taxas para kits de proteção (23%) e do mau atendimento (12%).

Nos laboratórios de análises clínicas, os problemas gerados com o rastreio à Covid-19 geraram 27% das reclamações.

Nas farmácias, a venda de máscaras de proteção são responsáveis por 58% das queixas; os preços praticados no álcool gel desinfetante originaram 37% das reclamações.

O número de queixas acelerou a partir de junho, mês que registou mais 94 % de protestos em relação ao mesmo mês de 2019. Diminuiu ligeiramente em julho para voltar a subir em agosto. Nos primeiros nove dias de novembro houve uma subida de 106% das reclamações em relação a igual período de 2019.

O Portal da Queixa é uma plataforma global que liga consumidores a marcas, fundada em junho de 2009. O objetivo é tentar resolver os problemas de consumo apresentados. É visitado por mais de 2 milhões de consumidores mensalmente e recebe em média 15 mil reclamações por mês nos diferentes setores.

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