Comer ovos faz mal? Novo estudo diz que aumentam o risco de doenças cardíacas

Por conter muito colesterol na gema, os ovos não são o alimento ideal para a saúde, dizem investigadores norte-americanos. Contudo, alertam que não é preciso evitá-los: basta consumir com moderação

A questão volta a colocar-se: os ovos são maus para a saúde? Um novo estudo descobriu que os adultos que ingeriram mais ovos, e logo mais colesterol, correm um risco significativamente maior de sofrer uma doença cardiovascular. Mas os investigadores também sossegam as pessoas ao dizerem que num ovo há também nutrientes importantes e não é necessário uma dieta de ovos: só é preciso consumir com moderação.

"A mensagem a reter é realmente sobre o colesterol, que acontece ser rico nos ovos, especialmente nas gemas", disse Norrina Allen, professora de medicina preventiva da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, e uma das autoras do estudo. "Como parte de uma dieta saudável, as pessoas precisam de consumir quantidades menores de colesterol. Pessoas que consomem menos colesterol têm menor risco de doença cardíaca", explicou. O estudo foi publicado no jornal JAMA e o seu principal autor é Wenze Zhong, um pós-doutorado em medicina preventiva na Northwestern.

A questão se comer ovos ou colesterol - que também é encontrado em produtos como a carne vermelha ou processada e produtos lácteos com alto teor de gordura - está ligado a doenças cardiovasculares, e mesmo a mortes, tem sido motivo de debate, admitem os investigadores. As diretrizes dietéticas norte-americanas durante décadas disseram que as pessoas deveriam ingerir menos de 300 miligramas de colesterol por dia. Mas, num grande impulso para os ovos, as normas instituídas em 2016 omitiram o limite e incluíram o consumo semanal de ovos como parte de uma dieta saudável.

A mudança nas diretivas dietéticas ocorreu quando os críticos questionaram se o governo emitiu pareceres no passado que se mostraram desnecessários ou exagerados, informou o The Washington Post. Um painel de especialistas chegou mesmo a dizer que o colesterol não é mais "um nutriente de preocupação".

Mas os investigadores da Northwestern dizem agora que o estudo sugere que essas diretrizes podem ter que ser analisadas novamente. Isso ocorre porque o adulto americano médio agora recebe 300 miligramas de colesterol por dia e come três ou quatro ovos por semana - e os dados indicam que é mau para a saúde.

Gema de ovo tem 186mg de colesterol

Comer 300 miligramas de colesterol por dia foi associado a um risco 17% maior de incidentes de doenças cardiovasculares (acidente vascular cerebral e ataque cardíaco, por exemplo) e 18% maior risco de morte em geral, afirmam os cientistas, que também descobriram que comer três ou quatro ovos por semana estava associado a um risco 6% maior de incidentes de doença cardiovascular e 8% a mais de risco de morte em geral. Um ovo grande tem 186 miligramas de colesterol na gema. Este estudo analisou cerca de 30 mil adultos norte-americanos etnicamente diferentes.

Os investigadores dizem que as pessoas não têm que banir os ovos e outros alimentos ricos em colesterol das dietas porque contêm nutrientes importantes. Apenas sugerem moderação. "Queremos lembrar as pessoas que há colesterol em ovos, especificamente gemas, e isso tem um efeito prejudicial", disse Allen. "Coma-os com moderação."

"O nosso estudo mostrou que se duas pessoas tinham exatamente a mesma dieta e a única diferença na dieta eram os ovos, então pode-se medir diretamente o efeito do consumo de ovos em doenças cardíacas", disse Allen. "Descobrimos que o colesterol, independentemente da fonte, foi associado a um risco aumentado de doença cardíaca."

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