Caso de infeção em restaurante põe distância de segurança em causa

A cliente que transmitiu o vírus estava a 4,8 e a 6 metros de distância das infetadas num restaurante na Coreia do Sul.

Mais más notícias para o setor da restauração e para os seus clientes: dois comensais num restaurante em Jeonju, na Coreia do Sul, foram infetados com o novo coronavírus numa questão de minutos de um terceiro cliente, uma mulher que estava assintomática e que se sentou a mais de quatro metros de distância deles.

Após analisar este caso de estudo ocorrido em junho, investigadores publicaram o resultado no Journal of Korean Medical Science, apontando que o vírus, sob certas condições de fluxo aéreo, viaja mais de 2 metros e pode infetar outras pessoas em apenas cinco minutos.

A transmissão por gotículas "pode ocorrer a uma distância superior a 2 metros se houver um fluxo de ar direto de uma pessoa infetada num ambiente interior", escrevem os autores. "Por conseguinte, são necessárias diretrizes atualizadas para a quarentena e gestão ambiental da covid-19 até à aprovação de um medicamento ou vacina de tratamento eficaz", escrevem os seis autores sul-coreanos.

O estudo sugere ainda a ventilação frequente dos espaços interiores ou um sistema de ventilação se a ventilação natural não for possível. Além disso, propõe que a distância entre mesas de um restaurante ou refeitório interior deve ser superior a 1-2 metros, ou em alternativa a instalação de uma divisória com base no fluxo de ar. Aconselha os clientes a retirarem as máscaras apenas durante as refeições e que os mesmos devem evitar conversas durante as refeições e sobretudo falar alto ou gritar.

A longo prazo, referem, deve-se ter em linha de conta a instalação de compartimentos separados em ambientes interiores para evitar a transmissão de doenças infecciosas transmitidas pelo ar e por gotículas.

Neste surto, as distâncias entre a pessoa que transmitiu o vírus (a cliente B, uma vendedora de fora de Jeonju) e as outras era de 4,8 metros (cliente C) e 6,5 metros (cliente A), mais longe do que outros clientes do restaurante, mas que não estavam no fluxo do ar condicionado. E não foi necessário muito tempo: a cliente A, uma estudante do ensino secundário, coincidiu cinco minutos, e o cliente C 21 minutos.

Este estudo recorreu ao circuito de câmaras interno do restaurante, bem como a dados do modelo de combate à pandemia na Coreia do Sul de forma a identificar a cadeia de transmissão. "Esta é uma das primeiras provas de transmissão por via aérea", afirmam os autores.

A Coreia do Sul, que é visto como um país modelo na forma como tem travado a transmissão do vírus, debate-se com o maior surto de sempre. No sábado foram registados 950 novos casos, quando o anterior recorde, datado de fevereiro, era de 909. No total registaram-se 41736 casos de coronavírus e 578 mortos.

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