BCG: a vacina criada em 1921 contra a tuberculose pode proteger da covid-19

A hipótese está a ser estudada há meses, com resultados encorajadores, e o Reino Unido já iniciou ensaios clínicos para perceber se a velhinha BCG pode salvar vidas à covid-19.

Em agosto, o DN dava conta das várias investigações em curso sobre uma possível relação entre a administração generalizada da vacina da BCG (contra a tuberculose) e um perfil epidémico menos gravoso da covid-19.

A ideia foi aventada pouco tempo depois de a pandemia ter assolado o mundo e os vários estudos levados a cabo reforçaram a hipótese, abrindo novos caminhos a explorar no combate à covid-19.

Uma das investigações, realizada por cientistas de Israel, das universidades Ben-Gurion do Negev e de Jerusalém, mostrava uma associação entre a vacina e uma menor severidade da covid-19.

Tendo analisado dados de 55 países, incluindo de Portugal, que concentram 63% da população mundial, confirmou que os programas de vacinação para a BCG estão sistematicamente associados a menores taxas, não apenas da infeção pelo novo coronavírus mas também da mortalidade por milhão de habitantes devido à infeção.

Explorando a mesma hipótese, a Universidade de Exeter, no Reino Unido, vai iniciar agora ensaios clínicos, com mil pessoas, para apurar se de facto a vacina BCG, desenvolvida em 1921 para combater a tuberculose, tem um efeito protetor relativamente à covid-19, noticia a BBC.

"Pode ser importantíssimo a nível global", disse o professor John Campbell, da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter ao canal britânico. "Embora não pensemos que [a proteção] seja específica em relação à covid-19, tem o potencial de ganhar muito tempo até que existam vacinas contra a covid-19 e sejam desenvolvidos outros tratamentos."

O ensaio clínico no Reino Unido faz parte de estudo internacional, realizado também na Austrália, Holanda, Espanha e Brasil e que envolverá cerca de dez mil pessoas no total.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da Organização Mundial da Saúde, também acredita que esta seja uma solução temporária e intermédia. Coautor de um artigo da Lancet que defende que a vacina da BCG pode preencher o vazio até que uma vacina específica contra o novo coronavírus seja desenvolvida, afirma que aquela "pode ser um instrumento importante na resposta à covid-19 e futuras pandemias".

A generalidade dos portugueses tem a vacina da BCG, que durante cerca de 50 anos fez parte do Plano Nacional de Vacinação até ser retirada, em 2017, mas os dados apontam para que a possível proteção da mesma contra a covid-19 e outras infeções respiratórias - que não é direta e, mais do que prevenir a doença, parece evitar estados mais graves - aconteça sobretudo quando foi administrada nos últimos 15 anos.

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