Austrália. "Árvore das direções" foi cortada para viabilizar autoestada

O governo do estado de Victória justificou a destruição da árvore com a necessidade de construir uma estrada. Mas os ativistas dizem que esta era uma árvore protegida.

A demolição de uma árvore sagrada para o povo aborígene com o objetivo de limpar o terreno para uma estrada gerou polémica na Austrália.

Há muito tempo que os manifestantes têm por hábito acampar em Victoria para defender árvores culturalmente importantes, incluindo algumas onde as mulheres Djab Wurrung tradicionalmente vão para dar à luz.

Apesar disso, na segunda-feira, as autoridades estaduais cortaram a "árvore das direções" de Djab Wurrung, disseram os ativistas.

As autoridades defenderam o corte, dizendo que a árvore não estava na lista de proteção. No ano passado, os proprietários de terras aborígenes (Eastern Maar Aboriginal Corporation) negociaram com o governo de Victoria um acordo para salvar da destruição cerca de uma dúzia das 250 árvores "culturalmente significativas".

No entanto, segundo a BBC, os ativistas independentes do grupo de terras aborígenes permaneceram no local perto de Buangor para tentar salvar mais árvores. A Polícia de Victoria disse na terça-feira ter prendido 25 manifestantes (o jornal The Guardian refere 50) que se recusaram a deixar o local enquanto o trabalho de limpeza continuava. Imagens postadas por ativistas nas redes sociais mostram os polícias a arrastar pessoas à força e alguns manifestantes que subiram nas árvores.

As autoridades disseram que a árvore removida na segunda-feira era um eucalipto que se pensava ter cerca de 100 anos, mas os manifestantes dizem que era na verdade uma espécie com 350 anos.

"Estou absolutamente devastada e sinto a dor dos nossos ancestrais", comentou no Twitter Lidia Thorpe, a primeira senadora federal aborígene federal pelo estado de Victoria, e uma mulher Djab Wurrung.

A escritora aborígene Celeste Liddle culpou o governo estadual por "cortar uma parte sagrada da herança de Djab Wurrung".

Muitos aborígenes dizem que a terra é fundamental para sua identidade. Os ativistas de Djab Wurring costumam comparar a importância cultural das árvores na área a uma igreja ou outro lugar espiritual.

Entre as árvores que serão protegidas estão duas de "nascimento". São árvores centenárias onde as mulheres também enterram as suas placentas após o parto, como parte de uma tradição cultural.

O governo de Victoria defendeu veementemente o projeto rodoviário - uma expansão de 12 km de uma estrada entre Melbourne e Adelaide - argumentando que reduzirá os acidentes de trânsito e garantindo que não tocou em nenhuma das árvores isoladas, identificadas como "árvore de direções" - que é protegida. O governo sugeriu que talvez a classificação dos ativistas fosse diferente da do grupo de terras.

As autoridades estaduais garantem que o projeto recebeu aprovação dos grupos de proprietários e foi aprovado por responsáveis federais ambientais e legais. "Ouvimos as vozes aborígenes em cada etapa", disse um porta-voz do governo.

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