As 1004 estrelas de onde os extraterrestres podem "espreitar" a Terra

Investigadores do Instituto Carla Sagan e da Universidade de Lehigh descobriram sistemas estelares que têm uma linha de visão direta para o nosso planeta. O mais próximo está a "apenas" 28 anos-luz.

Há muito que o Homem tenta perceber se há vida inteligente noutros planetas. Mas será que em algum recanto do universo há extraterrestres a tentar perceber se há vida na Terra? Foi partindo dessa premissa que Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan da Universidade de Cornell, e Joshua Pepper, físico da Universidade de Lehigh, partiram para, através dos seus cálculos concluírem que existem 1004 sistemas estelares cuja posição privilegiada poderia permitir a observação da Terra.

Cada uma dessas estrelas tem uma linha de visão direta para o nosso planeta e a maioria parte está suficientemente próximo para ser possível detetar o rasto químico que deixa a vida na Terra, como se pode ler nas conclusões que os dois investigadores publicaram no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Estas 1004 estrelas identificadas a partir do catálogo de exoplanetas em trânsito do satélite TESS, da NASA, encontram-se dentro da "sequência principal", isto é, têm características semelhantes ao Sol e poderiam ter na sua órbita planetas semelhantes à Terra. Todas elas estão ainda a menos de 300 anos-luz de distância, ou seja, são vizinhas que partilham connosco a mesma região da Via Láctea. A mais próxima está "apenas" a 28 anos-luz.

Segundo os dois investigadores, cerca de 5% destas estrelas são demasiado jovens para que em seu redor se tenha desenvolvido vida inteligente. Mas nos restantes 95% tal é possível.

"Vamos inverter a situação e pensar de que ponto de vista privilegiado seria possível detetar a Terra pelo método do trânsito", explica Kaltenegger no artigo. Um planeta em trânsito é aquele que passa em frente a uma estrela que está na linha de visão da Terra, escurecendo levemente o seu brilho, revelando assim a sua presença e dando pistas sobre a composição e tamanho desse planeta.

Ora os investigadores estão convencidos que se "alguém" num destes sistemas já detetou a Terra e a sua atmosfera vibrante, com certeza terá tido curiosidade para saber o que aqui se passa.

"Se nós estamos à procura de vida inteligente no universo", explica Kaltenegger, "alguém pode estar a fazer o mesmo noutro ponto e encontrar-nos. E talvez queira estabelecer contacto. Acabamos de criar o mapa estelar dos sítios onde devemos procurar primeiro".

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