Ambiente. Estudo revela aumento alarmante de assassínios de ativistas

Um terço das mortes de indígenas ocorridos entre 2014 e 2017, cerca de 230, estiveram relacionadas com negócios de exploração de minas e agrícolas.

O número de assassínios de ativistas ambientais está a aumentar a ritmo alarmante e afeta em particular membros das comunidades indígenas, assinala um relatório publicado esta segunda-feira pela revista científica britânica Nature.

A investigação, promovida pela Universidade de Queensland (Austrália) conclui que a maioria das 1 558 mortes registadas entre 2002 e 2017 estiveram relacionadas com as tensões em torno da exploração dos recursos naturais que os ativistas tentavam proteger.

"O número de mortes registadas de defensores do meio ambiente aumentou, assim como o número de países em que decorrem", explica em comunicado Nathalie Butt, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Queensland.

Estes ativistas contribuem "para proteger a terra, florestas, água e outros recursos naturais", e "podem ser qualquer pessoa que resiste à violência", como "líderes comunitários, advogados, jornalistas, membros de movimentos sociais, trabalhadores de organizações não-governamentais e indígenas", destaca.

Nesse sentido, Butt recorda que o número de vítimas registadas nas comunidades indígenas "é maior que em qualquer outro grupo".

O relatório precisa que um terço das mortes ocorridos entre 2014 e 2017, cerca de 230, estiveram relacionadas com negócios de exploração de minas e agrícolas.

"Apesar de a causa subjacente da violência serem os conflitos pelos recursos naturais, análises especializadas demonstram que a corrupção era o fator chave para os assassínios", sublinha Butt, que lamenta a impunidade nesta área.

A nível global, recorda, 43% de todas as mortes implicam condenações, enquanto esse número se reduz para 10% para as mortes de ativistas do meio ambiente.

"Em muitos casos, um Estado de direito frágil significa que estes casos não são investigados de forma adequada, e por vezes são a polícia ou as próprias autoridades as responsáveis pela violência", denuncia a investigadora.

Nesta perspetiva, o estudo exorta as empresas multinacionais e os governos a adotarem "mais transparência e responsabilidade", e solicita ao "consumidor" que atue com "consciência".

"A ecologia do planeta é fundamental para a produção de alimentos e recursos, dos quais todos dependemos, e, em última análise, estamos obrigados a apoiá-la. Parte deste apoio supõe defender as pessoas que o protegem", acrescenta.

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