Água a granel. Portugueses já compram 100 mil litros por mês

Preocupações ambientais levaram supermercado a criar um dispensador de água a baixo preço, evitando assim as garrafas de plástico. Quercus aplaude mais pede medidas legislativas para reduzir o plástico na indústria alimentar

Os portugueses estão a comprar, por mês, cerca de cem mil litros de água a granel no supermercado. Ou seja, deixou-se de vender o equivalente a 303 mil garrafas de plástico de 0,33 cl, numa altura em que o plástico é o grande inimigo dos oceanos e da vida marinha.

O dispensador de água purificada, onde os clientes podem encher as suas garrafas de três litros por 18 cêntimos foi lançado em abril pelo Pingo Doce, do grupo Jerónimo Martins, em apenas três supermercados da zona de Lisboa. Como registou uma forte adesão dos consumidores, a empresa alargou os pontos de venda self-service e promete não ficar por aqui. Agora já se pode comprar água a granel em 16 pontos, de Norte a Sul do país: Parque das Nações-Norte, Galhardas, Linda-A-Velha II; Santa Marta de Corroios, Azeitão, Alvalade, Matosinhos Sul Brito e Cunha, Serpa, Boavista, Coimbrões, São Mamede de Infesta-Dr Sá, Braga, Telheiras, Sintra, Odivelas e Quinta do Conde.

O sistema não permite o uso de uma qualquer garrafa - é preciso comprar um recipiente específico que custa 1 euro para ser reabastecida com três litros de água, 6 cêntimos por litro. A garrafa ECO é reutilizável e tem um filtro UV para proteção da luz e garantir as propriedades da água. O mote deste serviço é "poupe em água de qualidade, enquanto ajuda o planeta" e insere-se num conjunto de preocupações ambientais daquele grupo.

Estima-se que em todo o mundo sejam compradas um milhão de garrafas de plástico por minuto

João Branco, presidente da Quercus, não conhecia esta iniciativa mas entende que "tudo o que seja para evitar a produção de resíduos vai no bom caminho - garrafas reutilizáveis são sempre melhor do que comprar garrafas novas". Porque "reduz o número de embalagens para o sistema de reciclagem ou que são deitadas para aterros, embora haja muitas embalagens a escapar ao sistema de recolha" e esses casos são mesmo os mais preocupantes.

Mas não chega. É preciso fazer muito mais, diz o ambientalista. Na sua opinião, os supermercados têm de trabalhar em conjunto com a indústria de distribuição de produtos alimentares para que se reduzam as embalagens de plástico, que podem ser substituídas por cartão, papel ou vidro. E por saber que o preço é o principal fator concorrencial na tomada destas decisões, defende que estas medidas têm de ser tomadas pela via legislativa.

Segundo um estudo da Greenpeace, são vendidas, todos os anos, mais de dois milhões de toneladas de garrafas de plástico apenas de refrigerantes, sendo que apenas 6,6% destas são feitas de plástico reciclado. De fora deste inquérito, que juntou os seis maiores fabricantes de refrigerantes mundiais, ficou a Coca-Cola. Se este gigante tivesse participado no estudo, os números seriam ainda mais impressionantes.

Estima-se que em todo o mundo sejam compradas um milhão de garrafas de plástico por minuto e que este número aumente 20% até 2021 - ativistas e ambientalistas pensam que se estará perante um crise ambiental tão grave como as alterações climáticas.

O plástico é o grande inimigo dos oceanos - há, por exemplo, duas ilhas de grande dimensão no meio do Oceano Pacífico. João Branco alerta ainda para o facto de haver estudos segundo os quais em 2050 anos haverá mais plástico no mar do que peixes.

O problema é tão mais grave que ao degradar-se, o plástico se divide em micro-partículas, de tal maneira que algumas já incorporaram as células dos peixes, adianta. Outros animais, como as tartarugas e aves marinhas, confundem essas partículas com comida, ingerindo-as e dando-as às crias.

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