Aeroporto do Montijo condena as aves do Tejo, alerta investigador

O biólogo José Alves conhece o estuário do Tejo e as suas aves há mais de uma década. Com base nesse conhecimento garante que a construção do aeroporto no Montijo vai destruir esta zona protegida, onde sobrevivem milhares de aves ameaçadas. Esta e outras histórias no podcast Ciência com Impacto.

É um dos cientistas portugueses com maior prestígio internacional. Tem trabalhos científicos publicados em revistas de referência, como a Nature e a Science. E, nos últimos meses, assumiu que não pode assistir à destruição da mais importante zona húmida nacional sem nada fazer. A sua voz tem-se levantado, em Portugal e no estrangeiro, contra a construção do novo aeroporto: "No inverno, o estuário do Tejo recebe mais de 200 a 300 mil aves diferentes - no mínimo. O aeroporto, caso seja construído, vem juntar-se a várias outras ameaças, como o excesso de mariscadores ilegais nas zonas de alimentação e a destruição de habitat para urbanizações".

O impacto das alterações climáticas nas populações de aves migradoras é o tema de um dos seus trabalhos. E já conseguiu publicar algumas conclusões. A mais espantosa talvez seja a descoberta que o maçarico-de-bico-direito, uma migradora que passa o inverno em Portugal, tem chegado à Islândia cada vez mais cedo. E essa mudança é introduzida pelos juvenis. "São os novos indivíduos da população que chegam mais cedo que os progenitores. Ou seja, está cada vez mais quente na Islândia e cada vez mais cedo e as aves respondem a essas alterações. Mas essa resposta é dada através das novas gerações".

O estuário do Tejo é o principal local de estudo de José Alves, mas não é o único. Na realidade, trabalha em todos os grandes estuários do País e nas várias rias, como a de Aveiro e a Formosa. Onde quer que existam aves migradoras aquáticas e limícolas, a equipa internacional e multidisciplinar de José Alves está presente. "Sou um migrador como as aves que estudo. Passo parte do ano em Portugal, mas faço saídas prolongadas para África Ocidental para acompanhar as aves que passam lá o inverno. No verão faço o percurso contrário. Vou para a Islândia, onde estudo os maçaricos e outras limícolas que criam no ártico". Conheça todas estas histórias, na íntegra, na Ciência com Impacto.

Clique aqui para ouvir ou ver o podcast.

Um conteúdo DN / Ciência com Impacto

Mais Notícias