Reuters condenada por "propaganda contra o regime"

Um júri iraniano considerou hoje que a agência noticiosa internacional Reuters é culpada de "propaganda contra o regime" de Teerão, por causa de uma reportagem televisiva sobre mulheres iranianas que praticavam artes marciais, divulgaram os media locais.

A reportagem em questão já tinha levado, em março passado, à "suspensão" das atividades da agência noticiosa no Irão.

A Reuters foi igualmente considerada culpada por "publicar informações falsas com o objetivo de perturbar a opinião pública", referiu a agência oficial Irna, citando o Ministério Público iraniano.

A decisão do júri deverá ser agora confirmada por um juiz do tribunal de Teerão, que irá determinar nas próximas semanas a pena a aplicar à agência internacional, indicou o canal iraniano Press TV.

Até ao momento, as autoridades iranianas não avançaram uma data para a divulgação do veredicto final.

A Reuters, que poderá recorrer da decisão judicial, referiu, em comunicado, que vai aguardar pela decisão do tribunal.

"O júri expressou o seu ponto de vista e vamos aguardar a decisão do tribunal. Não pretendemos fazer mais comentários", declarou a agência.

A agência noticiosa, que depende do grupo Thomson Reuters, com sede em Nova Iorque, foi representada no tribunal pela diretora da Reuters em Teerão, Parisa Hafezi, que não poderá sair do país até que o processo fique fechado.

A reportagem da polémica foi divulgada em fevereiro passado e mostrava mulheres iranianas, designadas como "ninjas", a praticar artes marciais num centro desportivo em Karaj, perto de Teerão.

Na altura, a reportagem foi divulgada com o título "Milhares de mulheres ninjas treinam para serem assassinas no Irão".

Alguns dias mais tarde, e após vários protestos em Teerão, a agência noticiosa modificou o enquadramento da reportagem e apresentou desculpas.

Mas, as autoridades iranianas decidiram retirar as acreditações de todos os jornalistas da agência em Teerão, e a empresa suspendeu as suas atividades naquele país.

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