Queixa na ERC contra Diretor de Informação da RTP

Os sindicatos afetos à RTP, com exceção do Sindicato de Jornalistas, enviaram ao regulador dos media, ERC, uma queixa contra o Diretor de Informação da estação, disse hoje à Lusa um dos sindicalistas.

"Foi enviado na segunda-feira um pedido de intervenção da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] sobre as circunstâncias e declarações gravosas do Diretor de Informação [Paulo Ferreira], que colocam em causa o funcionamento do serviço público", afirmou Paulo Mendes, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV).

O Sindicato dos Jornalistas não subscreveu a queixa, disse hoje à Lusa o presidente, Alfredo Maia, estrutura que na segunda-feira enviou um comunicado a repudiar as declarações do Diretor de Informação, pedindo uma "retratação pública".

Esta queixa surge na sequência das recentes declarações de Paulo Ferreira sobre avaliações de desempenho e rescisões de contratos de trabalho.

Além da queixa, foi também enviada à ERC uma exposição feita por um dos membros do Conselho de Redação da RTP.

Na segunda-feira, num esclarecimento enviado à redação, a que a Lusa teve acesso, Paulo Ferreira adianta que a 01 de novembro, num texto publicado no Dinheiro Vivo sobre a sua participação numa conferência dois dias antes, não se reviu em declarações que lhe eram atribuídas, "nem em algumas interpretações que as mesmas poderiam originar por estarem fora do contexto".

Nesse sentido, enviou ao Dinheiro Vivo "um esclarecimento sobre alguns desses pontos", mas como tal "foi insuficiente ou ignorado", enviou também para a redação da RTP.

"É totalmente abusivo e destituído de qual senso pretender que, em momento algum, coloquei em causa a competência e qualificação dos trabalhadores da RTP, que sublinho interna e externamente com frequência, em referências individuais e coletivas", afirma no esclarecimento.

"Dizer que aos processos de saídas voluntárias acorrem, geralmente, trabalhadores com maiores competências não é dizer que só ficam na empresa os incompetentes, como é facilmente entendível se assim se quiser por quem estiver de boa fé", salientou.

"Tirar as conclusões graves e definitivas, como as que estão a ser tiradas, com base em excertos desgarrados de uma conversa que durou cerca de 40 minutos e onde me referi nuns momentos à situação concreta da RTP e noutros processos genéricos que atravessam a generalidade das empresas, é, isso sim, ofensivo e uma tentativa de destruição de caráter, que recuso".

E lembrou o facto de "nenhuma das tomadas públicas de posição sobre o assunto ter sido precedida de um contacto" com o Diretor de Informação "para averiguar com mais rigor o conteúdo e as circunstâncias" das declarações "antes de se emitirem julgamentos daquele teor".

Considerou "profundamente lamentável esta polémica - mais uma - levantada em torno de questões laborais que são importantes", mas que desviam do essencial, "que é fazer uma informação cada vez mais forte, mais relevante e que consiga captar mais público através da qualidade".

Paulo Ferreira apontou que "o momento da empresa é difícil" e que isso "levanta receios legítimos".

No entanto, "todas estas questões devem ser discutidas de forma aberta e honesta, com convergência ou não de pontos de vista ou de métodos a seguir, mas sem tabus", acrescentou.

"Foi sempre essa a minha conduta nas várias redações que co-dirigi. Foi sempre essa a cultura que ajudei a instalar porque sempre entendi as redações como espaços abertos e de liberdade, de discussão e debate, de decisão partilhada, de crítica e autoavaliação permanente do nosso trabalho, feitas de forma desassombrada no sítio certo e no momento certo e onde a luta política, partidária ou sindical deve ficar sempre à margem do processo editorial. A RTP não é, para mim, uma exceção, como a generalidade da redação pode testemunhar", concluiu.

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