"O meu principal trabalho no palco é reter a urina"

Numa curta temporada no Brasil para participar do festival de humor Risadaria, o português Ricardo de Araújo Pereira diz que tem medo de enfrentar o público e que fica angustiado momentos antes de entrar em cena.

"Mesmo no palco, o meu trabalho principal é reter a urina no meu organismo. O segundo é lembrar-me do texto", afirmou o humorista, em declarações à Lusa, realçando ter sido muito bem recebido pelo púbico brasileiro. "Eles até se riem do que eu digo".

O festival de humor, que estreou na quinta-feira em São Paulo, prossegue até domingo. Em seguida, Araújo Pereira irá também lançar um livro de crónicas no Rio de Janeiro, o "Se não entenderes, eu conto de novo, pá".

O nome do livro é uma referência a uma piada de português conhecida no Brasil. "'Vou contar uma piada de português', disse um homem. 'Mas eu sou português', respondeu o outro. 'Se não entenderes, eu conto de novo, pá'", contou Araújo Pereira em declarações à Lusa.

O humorista afirmou que "tem sempre um povo que sofre" por ser alvo de piadas em outros lugares, sejam os portugueses ou os alentejanos, por exemplo.

Mesmo assim, Araújo Pereira disse ter encontrado "muitos portugueses" em São Paulo, e confessou que até pensou em mudar-se. "Mas só viria se pudesse trazer o estádio da Luz comigo", disse, sobre a casa do Benfica.

Muitos dos portugueses que chegam ao Brasil fogem dos efeitos da crise económica. Para o humorista, a atual situação internacional tem dois lados. "É bom para tirar sarro. Mas é mau porque não há dinheiro para comprar bilhetes para as apresentações".

Araújo Pereira disse também que não entende muito de economia, mas sabe "que não é bom ser chamado de porco", em referência aos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), países que mais sofrem com os efeitos da crise.

Na sua passagem por São Paulo, o humorista também participou no programa do Jô, na TV Globo, em que arrancou gargalhadas do apresentador e do público. "O Jô é um mito para nós, desde o 'Viva o Gordo'. Foi uma honra", disse, ainda sem saber da grande repercussão da entrevista na imprensa portuguesa.

O humorista também elogiou São Paulo por ter bons restaurantes, com comidas de todas as nacionalidades. "Isto parece Nova Iorque, mas com um pouco menos de brasileiros. Lá têm muito mais brasileiros", brincou.

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