Mário Lino espera que PT respeite oposição do Estado

O ministro das Obras Públicas e Comunicações disse hoje esperar que a administração da PT tenha em conta a oposição do Governo ao negócio com a Media Capital, apesar de não o ter vetado.

Mário Lino explicou que não foi usada a 'golden share', já que não houve nenhuma assembleia-geral que permitisse a votação, mas disse esperar que a administração da PT tenha a oposição do Governo "em devida consideração".

"Eu espero que o conselho administrador [da PT] tenha isso em devida consideração", afirmou o ministro aos jornalistas, quando questionado sobre se o "não" do Governo ao negócio de aquisição de parte do capital da dona da TVI é vinculativo.

"No caso da PT, nunca usei - nem estou a usar - o veto, porque não houve nenhuma assembleia geral com uma votação em que o Governo, usando o seu poder de 'golden share', votou contra", acrescentou o ministro, sublinhando que o assunto nunca foi sequer colocado aos órgãos da PT.

Mário Lino disse ter chamado esta manhã ao seu gabinete o presidente do conselho de administração e o presidente-executivo da PT, a quem terá dito que o possível negócio "deve ser suspenso" e que o Governo "não concorda que ele avance", sobretudo em período próximo de eleições e tratando-se de uma actividade de comunicação social.

"Não queremos que haja a mínima dúvida, a mínima interpretação de que há por trás [do negócio] qualquer intenção do Governo" de controlar a estação, disse o ministro, rejeitando as insinuações de que o Governo estaria a tentar controlar a linha editorial da TVI.

Mário Lino afirmou, contudo, que na reunião com o presidente da comissão executiva da PT lhe foram apresentados "vários cenários de ligação, articulação e parceria com a TVI" e acrescentou concordar com o desenvolvimento de projectos pela operadora na área dos conteúdos.

Questionado sobre qual seria a posição do Estado caso a ZON Multimédia, onde a CGD detém uma posição de 17,66 por cento, pretendesse avançar para a aquisição de parte da Media Capital, o ministro disse que "não há qualquer proposta nesse sentido", mas acrescentou que "há muitas formas de ligação, articulação e parcerias na empresa".

Mário Lino falava à margem da apresentação de um projecto que reúne o pequeno comércio e as estações de Correios na recolha de alimentos para o combate à pobreza.

JMG/CSJ

Lusa

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