José Jorge Letria lamenta "grande perda"

O presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, considerou hoje que a morte de Igrejas Caeiro é uma "grande perda de um homem cuja carreira como comunicador começou em 1940".

A notícia foi recebida "sem grande surpresa" dada a "idade avançada e o estado de saúde já debilitado" de Igrejas Caeiro devido à doença de Alzheimer, acrescentou.

"De qualquer maneira, naturalmente, que nos chegou a nós, autores e amigos dele, porque manteve uma vitalidade e um interesse pela vida e pela vida da SPA praticamente até há poucos meses", disse à Lusa

A memória que José Jorge Letria guarda de Igrejas Caeiro é de um "homem sempre atento, solidário e com uma ação muito ativa".

"Uma vida que se expandiu pelo teatro, pelo cinema, pela televisão, pela música: foi um homem que levou ao palco muita gente em todo o país", recordou.

A vertente política também não foi esquecida, com o presidente da SPA a referir o "cidadão muito empenhado pela luta pela democracia".

O ator, encenador e locutor Francisco Igrejas Caeiro morreu hoje aos 94 anos.

Citado como um "nomes mais marcantes e populares da rádio, do teatro, do cinema e da televisão em Portugal", Igrejas Caeiro nasceu a 18 de agosto de 1917 em Castanheira do Ribatejo.

A estreia como ator aconteceu em 1940 no Teatro Nacional de D. Maria, em Lisboa, e seis anos depois entrou no primeiro filme da sua carreira: "Camões" de Leitão de Barros.

Como autor, apresentador e empresário, concebeu e difundiu programas como "Os Companheiros da Alegria" e "O Comboio das seis e meia".

Igrejas Caeiro foi afastado da rádio pela ditadura do Estado Novo devido a declarações sobre a ocupação militar portuguesa de territórios na Índia. O regresso à rádio aconteceu após o 25 de Abril.

Do seu currículo consta a fundação do Teatro Maria Matos, em Lisboa, em 1969.

Igrejas Caeiro foi militante do PS, deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Cascais.

A SPA atribuiu-lhe o Prémio de Consagração de Carreira em 2005 e também a Medalha de Honra, dedicando-lhe uma grande exposição retrospetiva em 2007, em colaboração com o Museu do Teatro.

O presidente da SPA admitiu à Lusa que esta exposição poderá voltar a ser organizada.

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