Vítor Bento

Vítor Bento

Apoios do Estado ao setor financeiro – uma clarificação

A divulgação do Relatório do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado de 2020, com um balanço histórico dos "Apoios públicos ao setor financeiro" desde 2008, deu azo, mais uma vez, a interpretações desajustadas do que foi essa intervenção pública, dos seus motivos, dos seus efeitos, e de quem foram os beneficiários visados. Parece, pois, útil alguma clarificação sobre o que foi esse importante papel das políticas públicas.

Dois à sexta

Bolhas, sustos e crises

No início de Setembro deixei aqui um alerta, que já tinha feito noutros círculos mais restritos, para os riscos de se estar a criar uma nova bolha financeira, cujo rebentamento poderia dar origem a uma nova crise. O próprio Relatório de Estabilidade Financeira do FMI, de Outubro passado, por detrás de um tom aparentemente optimista, estava bem recheado de avisos e cautelas sobre a situação vivida nos mercados financeiros. Mas, como também disse no artigo de Setembro, os sinais de uma bolha financeira podem durar muito tempo até que ela rebente e provoque uma crise, pois nunca se sabe até onde "estica o elástico" das condições financeiras, até rebentar.

Opinião

Integração europeia - um projecto indispensável

Nenhum dos Estados nacionais que participam hoje na União Europeia tem dimensão, ou poder suficiente - militar ou outro -, para ser relevante, só por si, no concerto internacional das nações (apesar dos dois vetos no Conselho de Segurança da ONU). Mas a necessidade de ganhar relevância individual, numa Europa fragmentada, acabaria por levar alguns desses Estados a desenvolver as acções vistas como necessárias para o efeito. Nessas condições, a Europa acabaria, muito provavelmente, a digladiar-se internamente em conflitualidades, mais ou menos violentas.

Dois à sexta

Um regime enviesado e uma direita descuidada

Um regime político é definido pela Constituição e pela práxis política. Sendo fundamental, a Constituição não é suficiente para definir o regime. Por exemplo, a prática francesa de o presidente se assumir como líder partidário, e a portuguesa, de o Presidente pretender ser independente, definiram de modos muito diferentes o papel da chefia do Estado nos respectivos regimes, apesar de as diferenças constitucionais serem menores.