Timor-Leste

Opinião

24 horas em Timor para a vida inteira. Por Graça Henriques

Quando a comitiva do então Presidente da República Jorge Sampaio aterrou no aeroporto de Díli faltavam poucas horas para a declaração oficial da independência de Timor-Leste. Meio mundo tinha-se deslocado ao território para assistir ao nascimento de um país - estava lá o secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, o ex-presidente americano Bill Clinton, a presidente da Indonésia Megawati Sukarnoputri e dignitários de 92 países. A comunidade internacional em peso para assistir à festa da independência, onde aprendi que é possível chorar em silêncio. Mesmo que sejam milhares a chorar ao mesmo tempo. E que quando se alcança a liberdade, aprende-se a perdoar.

Opinião

Uma ilha atravessada na garganta. Por João Pedro Henriques

Isto foi mesmo assim, juro. A avô Ermelinda avisou-me: "Se fores a Timor, bebe muito gin tónico. Tem quinino. Protege-te do paludismo." Ela sabia, tinha lá vivido com o meu avô, ainda antes da II Guerra. Foi o que fiz quando embarquei, algures em março de 1992, em Darwin, no norte da Austrália, num ferry, o "Lusitânia Expresso", sobrelotado de ativistas e jornalistas que pretendiam rumar a Díli, na "Missão Paz em Timor". O objetivo era colocar uma coroa de flores no cemitério de Santa Cruz, em homenagem às vítimas do massacre que em novembro do 1991 tinha colocado Timor nas primeiras páginas da imprensa mundial (de onde nunca mais saiu até ao referendo da independência, em 1999).