Timor-Leste

Testemunho

Adriano Moreira e o Cardeal Humberto Medeiros de Boston - O caso de Timor

Genuinamente preocupado com o sofrimento do povo timorense, depois da ocupação indonésia, ocupação devida à estupidez e incompetência política dos esquerdistas portugueses, a começar pelos militares e a acabar pelos comunistas, com a conivência dos socialistas, (os quais queriam impor a Timor independente um regime comunista, sistema visivelmente contrário às tradições culturais e políticas do povo maubere), o Professor Adriano Moreira, consciente como ninguém do significado político e cultural das antigas províncias ultramarinas portuguesas para Portugal e para o mundo ocidental, resolveu, por conta própria e à sua própria custa, vir do Brasil aos Estados Unidos a fim de tentar sensibilizar os americanos e os luso-americanos para esse sofrimento e para as carências materiais desse povo sacrificado à ignorância, à inépcia, aos complexos e aos caprichos de analfabetos políticos portugueses.

Opinião

Timor, Indonésia e o sabão azul do padre Melícias

O título do editorial do Jakarta Post no aniversário dos 20 anos do referendo em Timor diz tudo: "O nosso bom vizinho." Aproveitando a efeméride dessa votação de 30 de agosto de 1999 (quase 80% a favor da independência), o jornal indonésio fazia uma avaliação crítica do período de ocupação e em especial da repressão nos dias após se saber o resultado do referendo, mas sobretudo enfatizava a boa relação entre a Indonésia e Timor hoje existente. E a provar essa admirável reconciliação surgiu entretanto o vídeo de B.J. Habibie moribundo a ser abraçado por Xanana Gusmão, com carinho evidente entre eles, um o presidente indonésio que permitiu a autodeterminação da antiga colónia portuguesa no Pacífico, o outro o primeiro presidente de Timor.

Exclusivo

Momento histórico

Referendo foi há 20 anos: a independência de Timor em dez momentos

A alteração do regime político em Portugal não significou a independência a curto prazo para Timor-Leste. Pelo contrário, os timorenses tiveram de pagar um elevado preço para a alcançar. Um preço pago em mortos, combates, fome e destruição, resistência no interior e no exterior. Dez datas para entender uma luta de quase um quarto de século até à certeza da independência.

Opinião

Díli, 30 de agosto de 1999. Por Susete Francisco

O dia começou cedo. Eram umas quatro da manhã quando saímos da casa da família timorense onde estávamos alojados - eu, que estava em Timor pelo Diário Digital, jornal online que tinha então pouco mais de um mês de vida, e o Albano Matos, veterano repórter do Diário de Notícias, falecido em 2015, uma asa protetora para esta recém jornalista, então com 23 anos. É do Albano a primeira memória que tenho desta viagem. Estávamos no aeroporto e, pela primeira vez, caiu-me a ficha: "Vou para Timor, vou mesmo para Timor". Deve ter-se notado. "Estás com medo?", perguntou o Albano. Sorri-lhe, sem responder. Respondeu ele: "Não faz mal".