Timor-Leste

20 anos da consulta popular

A festa do referendo timorense ficou manchada pela violência das milícias

A independência tornara-se inevitável para Timor-Leste. Mas os militares indonésios e as milícias integracionistas vão tentar uma última jogada: a intimidação pela violência. Não terão sucesso. Mas os dias e as semanas anteriores e seguintes à votação de 30 de agosto de 1999 vão ser vividos numa atmosfera de medo, morte e destruição.

Opinião

Uma ilha atravessada na garganta. Por João Pedro Henriques

Isto foi mesmo assim, juro. A avô Ermelinda avisou-me: "Se fores a Timor, bebe muito gin tónico. Tem quinino. Protege-te do paludismo." Ela sabia, tinha lá vivido com o meu avô, ainda antes da II Guerra. Foi o que fiz quando embarquei, algures em março de 1992, em Darwin, no norte da Austrália, num ferry, o "Lusitânia Expresso", sobrelotado de ativistas e jornalistas que pretendiam rumar a Díli, na "Missão Paz em Timor". O objetivo era colocar uma coroa de flores no cemitério de Santa Cruz, em homenagem às vítimas do massacre que em novembro do 1991 tinha colocado Timor nas primeiras páginas da imprensa mundial (de onde nunca mais saiu até ao referendo da independência, em 1999).