Sílvia de Oliveira

Opinião

Web Summit. Amanhã mais do que hoje

Empreendedorismo. Mais uma palavra bonita, tal como inovação, que a esta hora suscita sentimentos tão contraditórios como o entusiasmo e o descrédito. Muitos já desligam quando se fala de empreendedores. Nem tudo é verdade. Empreendedorismo para cá, rondas de investimento para lá, unicórnios e one billion dolar companies para ali. Frases inspiradoras, lições para o sucesso, muitas balelas e equívocos. Assim, se desfaz a beleza da palavra e tudo o que está por detrás. Nem tudo é empreendedorismo e muitos estão a milhas de serem empreendedores.

Opinião

O último trimestre

No primeiro dia verdadeiramente tórrido que apanho nestas duas semanas em Ferreira do Alentejo, fecho os olhos e cerro os punhos, talvez pelo bafo irrespirável, e pressinto um último trimestre de 2016 como todos os últimos trimestres de todos os anos em todas as casas, todas as empresas, nos organismos do Estado, no país inteiro. A um terço do fim, olha-se para o que foi feito nos outros dois e, melhor ou pior, é possível antecipar como será praticamente até ao dia 31 de dezembro. Salvo qualquer facto inesperado, como uma conta para pagar - a última prestação do IMI está mais do que agendada -, ou o resgate de um banco, neste momento, já é possível saber, mais coisa, menos coisa, se sobrará algum euro do amputado subsídio de Natal, ou se as receitas fiscais chegarão para os mínimos.

Sílvia de Oliveira

O país das árvores de Natal

Uma "árvore de Natal muito carregada". Foi assim que o secretário de Estado dos Assunto Fiscais se referiu ao sistema fiscal português, cheio de regimes especiais e de exceções. Ontem, Fernando Rocha Andrade falava de benefícios e incentivos fiscais que são frequentemente desenhados à imagem de uma tipologia de contribuintes, algumas vezes, com a melhor das intenções, mas que introduzem complexidade e que acabam por sair caros a todos.

Opinião

Partilha 4.0

Uma, duas, três, várias vezes, logo é verdade. Mais uma vez, a mentalidade, a portuguesa. Agora, na inovação e na Indústria 4.0. Francisco Mendes, co-founder da Beeverycreative, contou ontem em Leiria, em mais uma jornada pelo país do Prémio Inovação NOS (inscrições até 31 de julho), que quando vendeu a primeira impressora 3D a um empresário do setor do calçado lhe foi pedido pelo comprador que não contasse nada a ninguém, muito menos aos seus concorrentes. Entendia este empresário que o segredo lhe conferiria uma vantagem competitiva.

Opinião

Negócios de uma vida

Em julho de 2008, quatro empreendedores fizeram o negócio das suas vidas. Carlos Oliveira, António Murta, Gastão Taveira e Nestor Ribeiro venderam à Microsoft a empresa que tinham fundado no longínquo verão de 2000. O investimento inicial na MobiComp, uma startup de soluções de mobilidade, foi de cinco mil euros, mas o valor pago pela Microsoft foi de algumas dezenas de milhões de euros. Uma oportunidade única. A inovação e o talento destes fazedores de Braga chamaram a atenção do colosso fundado por Bill Gates.

Opinião

Do Rossio a Valongo há gente rara

Parecia um normal fim de tarde no Rossio, em Lisboa. Mas nas redondezas já se adivinhava a agitação que existia no edifício contíguo à estação. Primeiro-ministro, ministro da Economia, secretário de Estado da Indústria e presidente da Câmara Municipal de Lisboa juntaram-se, à mesma hora, na inauguração da nova sede de uma startup portuguesa; da Uniplaces, uma plataforma online para alojamento de estudantes universitários fundada em 2012 por três ex-colegas, um dos quais português. Como contou António Costa, para quem, há cinco anos, ouvia esta ideia, era difícil pensar em algo mais do que numa página de classificados de um jornal. Hoje, a Uniplaces vale alguns milhões de euros, emprega quase 200 pessoas, entre Portugal e Londres, e tem a ambição de ser um player global, a partir do Rossio.

Sílvia de Oliveira

Palavras levam-nas os bancos

Três casos, dois estrangeiros e um português. Primeiro, o Deutsche Bank. Em menos de 24 horas, o maior banco alemão viu--se obrigado a vir a público, duas vezes, para tranquilizar os investidores e tentar estancar a forte queda das ações. Desde o início do ano, a cotação em bolsa caiu cerca de 40%. Numa carta enviada, ontem, aos milhares de trabalhadores do banco, tornada pública através da sua página no Twitter, o co-CEO do Deutsche Bank, John Cryan, garantiu que a instituição está sólida como uma rocha e pronta para pagar aos seus obrigacionistas . Perante os fortes rumores de que isso poderá estar em risco, também ontem o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, garantiu não estar nada preocupado com a situação do banco, que passou de um lucro de 1,4 mil milhões de euros, em 2014, para um prejuízo recorde de quase 6,8 mil milhões de euros no ano passado.

Opinião

O México também está preocupado com Costa

Até do México surgem vozes de protesto contra o governo de António Costa. O país intensificou ontem, ao final do dia, a sua oposição a uma das primeiras medidas do novo executivo: a anulação da subconcessão da Carris e do Metro de Lisboa. Nove dias depois de ter tomado posse, o governo anuncia a anulação do concurso lançado e fechado pela equipa de António Pires de Lima, o ministro da Economia de Passos Coelho. A decisão de reversão, como lhe chama este governo, incidiu também sobre os transportes do Porto.

Sílvia de Oliveira

Será este Natal melhor do que os anteriores?

Uma ida fortuita a um dos maiores shoppings da Europa, que por sinal fica em Lisboa, em dia feriado, no início do mês do Natal, fez-me prometer tentar não voltar a pôr os pés num centro comercial até ao fim das festas, pelo menos. Por comodismo - que sentido faz passar horas numa fila para comprar um livro que está à venda ao longo de todo o ano? -, por duvidar das promoções, em geral, e muito menos das de Natal; por não sentir o desejo nem a obrigação de trocar presentes nesta época; por algum preconceito, admito - a ansiedade consumista irrita-me -, mas sobretudo porque não tenho mais dinheiro do que nos últimos anos. E não quero gastar mais do que em anos anteriores. São, por isso, estranhas as notícias que dão este Natal como o melhor desde o início da crise. Ainda que o desemprego tenha caído, continua elevado, os impostos são os mesmos - a sobretaxa de IRS manteve-se inalterada, ou seja, o subsídio para quem optou pelos duodécimos continua curto - e não houve nem há notícias de aumentos salariais. O rendimento disponível das famílias é, em dezembro de 2015, o mesmo do que há um ou dois anos.

Sílvia de Oliveira

A dança de cadeiras ainda nem começou

Vamos voltar ao verão, mais precisamente a julho. Dizia, então, Passos Coelho: "O governo está investido de todos os seus poderes até às eleições. Tem todas as competências". Ainda que o novo governo estivesse em funções, não faria sentido uma "febre legislativa", sendo que, acrescentava o primeiro-ministro, uma das preocupações seria a de não proceder a nomeações, porque não era tempo de iniciar novos mandatos.