Rosália Amorim

Rosália Amorim

Qual é o plano B na educação e na saúde?

Hoje só há uma certeza: é preciso achatar a curva de infetados e mortos por covid-19. Todos os esforços devem ser feitos nesse sentido. Dos transportes públicos ao teletrabalho, dos restaurantes às escolas. Não queremos perder mais portugueses para a morgue por causa da pandemia e da nova variante importada do Reino Unido. Um país onde falta população, e sobretudo população jovem, não pode dar-se ao luxo de continuar a perder pessoas ao ritmo a que está a acontecer, desde março do ano passado, catástrofe que se agudizou depois do Natal.

Rosália Amorim

Resistência e saúde mental

As imagens chocantes das filas de espera de ambulâncias com doentes com covid-19 nos principais hospitais públicos, em várias zonas do país, despertam sentimentos de revolta, impotência, culpabilização ou - pior, para algumas pessoas - até de banalização, dada a repetição destes acontecimentos, ao fim de quase um ano, mas agora de forma especialmente cruel com as urgências e os cuidados intensivos dos hospitais portugueses no limite da capacidade.

Rosália Amorim

Um novo normal exige um novo tipo de voto

A pandemia tem o mérito de acelerar processos que há muito estavam por decidir. Por isso, esperava-se mais no que toca à gestão do voto nas próximas eleições, uma vez que estamos a viver em plena catástrofe da covid-19, mas também na era mais digital de todas. E se acrescentarmos a isso o facto de que estamos a poucas horas de um novo confinamento - já antecipado pelos médicos, em virtude do alívio das restrições no Natal -,então era necessário ter planeado e modernizado o processo eleitoral há muito.

Rosália Amorim

Ruído e atropelos ou debater o país?

Passaram as festas natalícias, entrámos em 2021 e, de repente, parece que um novo estado de emergência pouco interessa. Os portugueses, em especial os que têm levado a sério as medidas anticovid, estão preocupados e querem saber se haverá um disparo do número de infetados e se estaremos perante uma terceira vaga da pandemia, após o alívio das medidas no Natal e alguma restrição no Ano Novo. Com o regresso ao trabalho e às escolas, as famílias precisam de saber com que nível de alarme devem contar. Para o efeito, os partidos políticos foram ouvidos ontem pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acerca de um novo período de estado de emergência. À saída de Belém, as declarações dos partidos foram, no entanto, sobre a prestação de ministros deste governo. Desta vez, a polémica envolve a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, por causa da sua explicação, "lapsos" e carta a propósito da nomeação do procurador José Guerra para um cargo europeu. Antes foi Eduardo Cabrita, com o caso da morte de Ihor às mãos do SEF - e sobre o qual o DN volta hoje a dar notícia, fruto da contínua investigação jornalística -, e ainda Pedro Nuno Santos, com a polémica em redor do aumento de salários aos administradores da TAP, em plena reestruturação e despedimento coletivo.

Rosália Amorim

Seremos melhores em 2021?

Todos os anos, na passagem para o ano novo, fazemos planos e promessas e formulamos desejos e sonhos. Em 2020, ano terrivelmente marcado pela pandemia de covid-19 e pelos seus efeitos brutais na economia e na sociedade, prometemos - de março a dezembro, quando a pandemia afetou as nossas vidas - que seríamos melhores pessoas. Quando assistimos ou participámos de ondas de solidariedade. Quando nos comovemos com as imagens do esforço notável dos profissionais de saúde a tentar salvar cidadãos infetados nos cuidados intensivos dos hospitais, num cenário quase irreal.

Rosália Amorim

Remodelação antes do Ano Novo ou das autárquicas?

O primeiro-ministro tem estado focado no recente Conselho Europeu - essencial no desbloqueio do pacote financeiro para a recuperação económica de Portugal e de todos os países da União perante a pandemia de 2020 - e na preparação da exigente presidência portuguesa da UE, no primeiro semestre de 2021. Mas António Costa, político experiente, sabe que não pode descurar a governação do país num contexto muito difícil, o que implica garantir a coesão da sua equipa no executivo, além de tentar prevenir ou conter a previsível explosão social decorrente da crise económica e do nível de desemprego - que deverão acentuar-se ainda mais nos próximos meses.

Rosália Amorim

Não haverá segunda oportunidade

O Orçamento do Estado deverá ser entregue na Assembleia da República na próxima segunda-feira. Empresas e famílias estão ávidas de informação acerca do que aí vem em termos de ajudas de Estado, para combater a crise, e em termos de fiscalidade. As preocupações são infindáveis. O turismo não recuperou o que precisava durante o verão, as indústrias pedem mais exportações (cairam 1,4% em agosto comparando com igual mês do ano passado, em julho a quebra homóloga tinha sido de 7,1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística), as startups falam de congelamento dos investidores, as famílias sofreram cortes de rendimentos por efeito do lay-off e temem o desemprego a curto prazo. Outubro será o mês negro para muitas famílias, que poderão sofrer com despedimentos coletivos que se anteveem para esta altura. É urgente que os apoios à manutenção do emprego se efetivem no terreno, que saiam das gavetas dos decisores diretamente para as fábricas, serviços e outras áreas de atividade que foram altamente impactadas pela pandemia de covid-19. O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital disse aqui, na semana passada, que este será um Orçamento contracíclico e expansionista. Os portugueses querem saber como e em que dimensão. E pedem três (entre muitas) coisas: que os setores e os players apoiados não sejam sempre os mesmos, que a transparência impere e que, de uma vez por todas, os ministérios atuem em rede e não em quintinhas, em prol de um país melhor. Os portugueses querem saber também de que forma as bandeiras nacionais e europeias da digitalização, da descarbonização e da mobilidade podem fazer a diferença nas suas vidas, criar empregos, melhorar a produtividade, aumentar a competitividade das empresas e do país e reter os jovens mais talentosos em território nacional. Além de um Orçamento expansionista, em 2021 chegarão também os fundos europeus para a recuperação económica. A forma como serão definidas as prioridades de investimento requer um sentido de Estado e de serviço público ímpar. Não haverá segunda oportunidade para injetar dinheiro fresco na economia. Não haverá segunda oportunidade para modernizar e transpor as empresas para a era 4.0. Não haverá segunda oportunidade para recapacitar a população de forma que tenha empregabilidade no futuro. Não haverá segunda oportunidade para receber mais de 13 mil milhões de euros de uma assentada, com guidelines bem definidas. É preciso ter também presente que Portugal não será o único e aproveitar este balão de oxigénio dentro da União Europeia. A alocação prevista por Bruxelas atribui 560 mil milhões de euros aos 27 países, com mais 185 mil milhões a distribuir pelos fundos comunitários. A concorrência é grande e não podemos dormir na forma. Jornalista