Rosália Amorim

Editorial

"Há estrada para andar", exceto se cair o sinal vermelho

"Há vida além do curto prazo", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, esta semana. O Orçamento tem chumbo anunciado, mas a negociação não terminou, dizem o governo e os partidos de esquerda. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance" garantiu ontem António Costa no Parlamento. "Tudo faremos para obter um acordo, mas não a qualquer preço", avisou. "Pedem-nos um passo de mágica, mas não há passos de mágica que permitam" alcançar o que o PCP ambiciona. Costa assegura que no governo"não fazemos chantagens, ultimatos ou fechamos portas ao diálogo" e disponibiliza-se para na discussão na especialidade dar atenção às matérias pendentes ou extraorçamentais, como a legislação laboral. Resta saber se a mensagem é suficiente para conseguir viabilizar as contas do país para o próximo ano.

Rosália Amorim

OE 2022. Negociar até ao último minuto

As negociações para o Orçamento do Estado deverão manter-se até ao último minuto ou, como se diz na minha terra, "até ao lavar dos cestos é vindima". Bloco de Esquerda (BE), Partido Comunista Português (PCP), Os Verdes e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) já foram ouvidos. O BE acusou ontem o governo de não estar a fazer um esforço de aproximação à esquerda. Mas "todos estão a trabalhar", garante o primeiro-ministro, António Costa. Até agora só há uma certeza: ainda não há luz verde para o OE 2022.

Rosália Amorim

O campo de forças do teatro político

Vivemos dias de pura encenação política ou o Orçamento do Estado para 2022 pode mesmo não passar? A cada ano, sempre que o OE vem para cima da mesa dos partidos e é entregue no parlamento começa o teatro. Nada de mal nisso. Faz parte do exercício da política e quem melhor desempenhar o seu papel mais aplausos poderá ter da sua fiel plateia. Contudo, neste ano, as posições extremaram-se mais do que é habitual. A ameaça de uma crise política tornou-se evidente nos últimos dias. À esquerda, Partido Comunista e Bloco querem fazer prova de vida e mostrar ao Partido Socialista que as alianças formais ou informais não são favas contadas. E têm vindo a esticar a corda. Só fortes cedências em matéria de legislação laboral, aposta no Serviço Nacional de Saúde e incremento dos salários públicos poderão evitar que a corda rebente e anular o chumbo (já anunciado por ambos) na votação na generalidade do OE 2022, agendada para o dia 27 de outubro.

Rosália Amorim

OE 2022. Leão, Asterix e a poção mágica 

O Orçamento do Estado está entregue e apresentado, em modo corrida-estafeta. A famosa pen foi entregue no Parlamento a 23 minutos do prazo estipulado (meia-noite de dia 11) e logo de manhã (pouco depois das 9h) o seu conteúdo estava a ser explicado aos jornalistas na Praça do Comércio. João Leão, qual Asterix, parece ter tomado a poção mágica do otimismo, que combina algum expansionismo com controlo do défice (3,2%) para 2022. Mas, ao olharmos para o caldeirão do Orçamento, será a dose realista ou moderada?

Rosália Amorim

Precipitados jogos de poder

Eis que chegou a liberdade! Já cortámos a meta do dia 1 de outubro e nada mudou. Nas últimas 24 horas mais 696 casos e quatro mortos em Portugal. A pandemia teima em resistir. Ainda assim há 18 meses que não estávamos tão próximos da vida em pré-pandemia. Na quinta-feira e na sexta-feira à noite as esplanadas encheram-se de dia e de noite, as jantaras de amigos entoaram nas velhas ruas de Lisboa e a dança está agora permitida em discotecas. Os portugueses precisam de uma certa normalização, de rir, chorar, partilhar a gestão de uma dor que já leva ano e meio. A boa notícia é que, apesar das ruas cheias, muitos cidadãos continuam a usar máscara dentro e fora dos recintos, com a consciência que a conjuntura exige. Há exceções, mas há também um sentido de maior responsabilidade, até para que não se repita o último Natal. Avançamos seguros pelas ruas, agora que estamos vacinados.

Rosália Amorim

Reflexão. Para quê e sobre o quê?

Hoje é dia de reflexão para os eleitores meditarem sobre o sentido de voto nas eleições autárquicas deste domingo e para terminarem as campanhas partidárias. É assim que está convencionado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e acordado entre partidos e órgãos de soberania, desde os tempos idos dos comícios cheios de cidadãos empenhados e de militantes ativos, no último dia de campanha eleitoral. Na véspera das eleições, podemos escrever e falar sobre tudo, exceto sobre as propostas dos candidatos, seja autárquicas ou legislativas, seja presidenciais ou europeias.

Rosália Amorim

Nova narrativa: da "libertação total" à "transição"

A prudência é boa conselheira na gestão da pandemia e, de um dia para o outro, a narrativa oficial alterou-se. O primeiro-ministro deixou de falar em "libertação total" da covid-19 e substituiu o termo por "transição" e por "viragem". Ontem, no Conselho de Ministros, anunciou a terceira fase de desconfinamento - já há muito prevista (desde 29 de julho), apesar de a oposição considerar o calendário "eleitoralista", por coincidir com a véspera das eleições autárquicas. Assim, alguns serviços voltarão a reabrir a partir de 1 de outubro. E temos condições de o fazer? "Temos", dizem os entendidos em saúde, mas a afirmação "temos" é acompanhada pela palavra "cuidado".

Rosália Amorim

A poção de Ursula para puxar pela Europa 

Ursula von der Leyen reforçou o seu papel como uma das grandes líderes da Europa, além de Angela Merkel, claro. No seu discurso sobre o estado da Europa, proferido ontem, traçou metas ambiciosas a atingir no combate à pandemia, no avanço da vacinação e enalteceu ainda a importância da criação de uma entidade europeia que irá trabalhar na prevenção e resposta a crises pandémicas futuras. A presidente da Comissão Europeia acredita que com a existência do certificado digital e o entendimento entre os Estados membros, tudo ficará mais fácil em termos de política de coordenação global da área da saúde para os anos vindouros.

Rosália Amorim

Verão com sabor amargo

Nem os campeões estão a salvo da pandemia. O camisola amarela na Volta a Portugal, Daniel Freitas, foi forçado a abandonar a corrida, após novo caso de covid-19 na sua equipa. Antes do início da quinta etapa, já João Benta e Tiago Machado tinham sido afastados da Volta, por estarem infetados com o novo coronavírus. Freitas tinha ganho a amarela na quinta etapa da prova, que liderava com uns bons 42 segundos de vantagem sobre Alejandro Marque. Tem um sabor amargo para o português deixar a prova rainha do ciclismo nacional por causa do coronavírus, mas nem os grandes atletas e vencedores estão protegidos, mesmo ao ar livre.

Rosália Amorim

A ilusão da liberdade de que o país precisa

Regras iguais para todo o país e um plano de recuperação da liberdade em três fases. É com estas diretrizes, anunciadas pelo primeiro-ministro ontem à tarde, que os portugueses vão organizar as suas vidas no verão. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha falado, nesta quarta-feira, numa nova narrativa e de um certo alívio das restrições. E ontem António Costa garantiu que há uma "total convergência entre o governo e o Presidente da República", afastando rumores de um certo distanciamento crescente entre as duas figuras de Estado. Mais disse: "Eu nunca me considero um otimista irritante, muito menos o Presidente da República alguma vez pode ser considerado dessa forma. O que senti nas palavras do Presidente da República foi uma confiança acrescida na forma como a pandemia tem sido controlada, como tem corrido o processo de vacinação e como estamos em condições de dar este passo em direção à retoma."

Rosália Amorim

Enfrentar as gigantes, sem medos!

Na Europa, a comissária Margrethe Vestager tem sido o rosto do combate à hegemonia das grandes tecnológicas. Com coragem, determinação e medidas de punição, a comissária da Concorrência tem dado o corpo às balas em defesa dos direitos de autor, liberdade de informação, justiça fiscal e combate a monopólios e duopólios. Já veio, aliás, a Portugal falar disso e mais do que uma vez, numa delas foi oradora no palco da Web Summit, onde explicou, precisamente, porque o paradigma deve mudar.