Raúl M. Braga Pires

Raúl M. Braga Pires

Azawad independente, utopia ou mentira colectiva?

Celebrou-se no passado dia 6 o 9.º aniversário da declaração unilateral de independência de Azawad, face ao restante Mali, decretada pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA). Trata-se da utopia tuaregue que tem alimentado o ideário das várias confederações tribais dos "homens azuis" que povoam maioritariamente o norte do Mali, desde o período colonial francês. A luta pela libertação do Mali, neste contexto e período, sempre foi encarada pelos tuaregues como a luta pela libertação do seu território saheliano face ao Mali subsariano, verde na paisagem e negro na demografia.

Raúl M. Braga Pires

Qatar 2022 e o reverso da medalha

O próximo Mundial de Futebol está praticamente à porta. Digo-o desta forma porque o tempo, para mim, tem passado mais rapidamente em tempos de confinamento. Nunca fui tão produtivo como agora, talvez por ter de inventar entretenimento e, quando dou por mim, estou sempre a entreter-me com algo ligado ao que me dá mais prazer, o trabalho e, já é sexta-feira outra vez. O desejo e a ânsia em ultrapassar esta fase também ajudará certamente e a verdade é que o pessegueiro à porta de casa é a árvore mais florida da rua, indicando que o Inverno já foi e que os bichinhos vão começar a comer borboletas para as terem no estômago, só porque sim.

Raúl M. Braga Pires

Três movimentos cívicos, dois países: Argélia e Marrocos

Nesta semana celebram-se duas datas importantes para os movimentos cívicos na Argélia e em Marrocos. No dia 16 celebraram-se dois anos do Hirak, "movimento" argelino que surgiu em 2019 contra um quinto mandato presidencial de Abdelaziz Bouteflika. Objectivo atingido, estes movimentos inorgânicos tendem sempre a não perder o fôlego com assuntos paralelos que lhes permitem continuar a marcar a agenda e a arrastarem o foco mediático. No caso do Hirak, não necessitou de procurar no paralelo o assunto, já que contestou de imediato a solução proposta para a substituição do presidente (PR) Bouteflika, um histórico do FLN quatro vezes ministro e uma primeiro-ministro de Bouteflika. Percebeu a transição na continuidade e ficou de atalaia. Apesar de não se manifestar nas ruas desde março de 2020 devido à pandemia, este movimento caiu em cima do recém-eleito PR Abdelmadjid Tebboune quando em novembro último saíram os resultados do referendo à nova Constituição, com uma taxa de abstenção de 76%, prova para o Hirak, de que Tebboune não saíra legitimado do processo eleitoral que em dezembro de 2019 o tinha eleito com 58% dos votos. Esta postura tem-lhes permitido a crítica constante, saindo à rua a propósito da celebração do segundo aniversário, provando que ainda estão activos e mantendo o foco com slogans exigindo liberdade de expressão, imprensa livre e justiça. Muitos dos seus activistas foram sendo detidos e, nas redes sociais e agora de novo nas ruas, clamam por um Estado civil, insistindo na tecla de que o actual PR foi lá colocado pelos militares, que também acusam de terem hoje mais poder do que ontem.

Raúl M. Braga Pires

11 de Setembro e o que ficou por fazer em 19 anos

Em Portugal, salta à vista uma falha gritante neste contexto e que é a seguinte. 19 anos após acontecimento que marcou indubitavelmente uma mudança de paradigma a todos os níveis, nenhuma universidade portuguesa teve a... nem sei como lhe chamar! Será audácia, será coragem ou será atrevimento? De criar de raiz uma Licenciatura/Mestrado de Estudos Islâmicos, Estudos Árabes, Magrebinos, Mediterrânicos, ou algo do género, aproveitando a moda e o momento que se seguiria e que se poderia hoje comparar ao aumento súbito que os grupos desportivos de bairro tiveram em atletas, logo após a Medalha de Ouro ganha por Carlos Lopes nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. O meu espanto, é que o momento, há 19 anos, seria de encaixe financeiro garantido para a Academia ao explorar este filão que se abria aos olhos de todos, mas a velha ordem persiste em impor-se nesta "Albânia de intranet". Sim, temos Twitter mas parece que é só para brincar com a vizinhança intra-bairro, que a Baixa-da-Banheira não comunica com a Alta, tribo desconhecida e tudo o que é desconhecido evita-se, quando não, elimina-se.

Opinião

Ainda sobre Hagia Sophia, simbólica e efeitos colaterais

Antes da existência dos panfletos a que hoje todos chamamos "flyers", os Romanos erigiam colunas pelas terras conquistadas, as quais contavam em baixo relevo a(s) façanha(s) da(s) conquista(s), tal e qual os livros do Tio Patinhas, mas sem quadradinhos. A mais famosa e mais conhecida será a Coluna de Trajano, no centro de Roma, comemorando as vitórias das campanhas militares sobre os Dácios. Pode-se considerar um excelente exemplo da arte e da arquitectura ao serviço da política.