Philip Roth

O que eu ando a ler

Vasco Wellenkamp

Na vida de Vasco Wellenkamp, que há um ano assumiu a direcção artística da Companhia Nacional de Bailado (CNB), os livros sempre tiveram papel fundamental. “Sou leitor compulsivo”, confessa. “Só lamento que quando me envolvo mais no trabalho não tenha tanto tempo para ler.” Não foi isso que aconteceu na recente digressão da CNB ao Brasil. Envolveu-se profundamente na leitura de A Mancha Humana, de Philip Roth. “Tive momentos em que, à noite, eu que sou de deitar cedo, me deixei tanto envolver que li até de madrugada. Não conseguia parar...” Para o coreógrafo, nesta obra de Philip Roth “há  um enredo que nos conduz através de uma personagem extraordinária. E depois há aquela surpresa, a meio do livro. De repente, percebemos que tal personagem é de origem negra. Além de grande literatura, o livro tem algo de policial. Há qualquer coisa que nos leva a tentar perceber como se vai desenrolar aquele momento para, de seguida, entrar noutro tão complexo”. A Mancha Humana é a história de um homem, Coleman Silk, que foge às suas raízes, procurando ludibriar o passado, tornando- se professor e reitor na Universidade de Athena. No final da vida, o impecável percurso académico é manchado por acusação de racismo “A maneira como Philip Roth descreve psicologicamente as personagens, o modo como nos mostra a natureza humana na sua forma mais sofisticada, a maneira como coloca as pessoas a viverem situações-limite é magistral. São situações que podem acontecer a qualquer um de nós. É essa universalidade que fez que fosse o  romance que, nos últimos anos mais me cativou. Tenho a certeza de que o vou reler, uma e outra vez”, diz o coreógrafo de Lento para Quarteto de Cordas. Outro dos livros da vida de Wellenkamp é Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. “Quer esse, quer A Obra ao Negro, marcaram-me muito pela beleza da escrita.” Para aquele que também foi  fundador da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo os livros influenciam, indirectamente, a sua veia artística. “Sou influenciado se me exalto, se as obras que estou a ler me transportam para um plano espiritual diferente.”