Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

NUT II Oeste e Vale do Tejo, finalmente uma realidade

No início de dezembro, o primeiro-ministro António Costa anunciou no congresso da ANMP um conjunto de medidas que, sendo aparentemente simples, estou certo de que vão ter um enorme impacto nas populações. Uma delas foi a criação de uma nova NUT - Nomenclaturas de Unidade Territorial - II a integrar as CIM - Comunidades Intermunicipais (NUT III) do Oeste, Lezíria e Médio Tejo. Para a esmagadora maioria das pessoas estes "palavrões" nada dizem, mas se lhes explicarmos que os fundos comunitários dependem destas unidades estatísticas, o caso muda de figura. Tal como se explicarmos que os apoios às empresas, a capacidade de fazer mais ou menos escolas, o investimento na eficiência energética ou na política de descarbonização está dependente de estarmos ou não numa ou noutra NUT II. Se explicarmos que o desenvolvimento integrado enquanto região depende de uma verdadeira estratégia que como tal deve ter metas e formas de conseguir atingir os objetivos. Talvez por aí consigamos captar a atenção dos cidadãos e das empresas. Lisboa e Vale do Tejo é uma região imensa. Em Lisboa há casas a menos, escolas públicas a menos. Nós por cá temos casas sem gente, perda de população, escolas a fechar. Temos transportes e não temos pessoas, Lisboa tem gente e poucos transportes. Regiões com poucos quilómetros de diferença conhecem realidades opostas. É essencial criar condições para que cada uma destas sub-regiões possa decidir o seu caminho tendo em conta os objetivos de desenvolvimento. Só com gente focada numa realidade mais ou menos homogénea se podem encontrar respostas para as nossas dificuldades. Durante décadas este tema esteve em cima da mesa, mas desvalorizado por muitos. Durante décadas o gap entre Lisboa e o resto da região apenas se acentuou. É, pois, um imperativo de desenvolvimento, mas também um imperativo moral a criação desta nova "região" junto de Bruxelas.

Opinião

Continuar a desconfinar, com novos critérios

A matriz de risco foi algo de enorme importância para prever o desconfinamento. No entanto, essa matriz feita em fevereiro/março, não incluía nessa época, e bem, os vacinados. Portugal tem hoje vacinados a quase totalidade dos maiores de 60 anos, com, pelo menos, uma dose, e penso que, em junho, vão estar todos com as 2 doses. Não sou, nem quero ser, especialista em "matrizes" nem em epidemiologia, mas mais de um ano depois os especialistas da DGS têm de ser capazes de nos "dar", mais do que deram até agora, em termos de voltarmos à nossa vida normal. Até aqui a economia esteve, e bem, ao serviço da saúde, é tempo de a saúde estar ao serviço da economia.