Patricia Akester

Opinião

Trevas de Afeganistão revisitadas

Embora perdure um entendimento muito claro em termos de direito internacional sobre os direitos da mulher e a suprema necessidade de os tutelar e garantir, continuamos a testemunhar, neste campo, atrocidades chocantes, sem trégua. Mais, os incidentes não são raros tendo, sim, contornos sistémicos e expondo a apatia dos órgãos de soberania dos países mais afectados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a nível global, uma em cada três mulheres já foram vítimas de violência, ou seja, de "qualquer acto de violência de género que resulte ou possa resultar em dano ou sofrimento físico, sexual ou mental, incluindo ameaça, coerção ou privação arbitrária de liberdade, seja na vida pública ou na vida privada" (Organização das Nações Unidas - ONU). Segundo a mesma entidade, dessa violência pode decorrer, entre outras coisas, homicídio, lesões físicas, tentativas de suicídio, transtornos da saúde física, mental, sexual e/ou reprodutiva da mulher.

Patricia Akester

Je suis: mulher em trevas de Afeganistão

No século passado, antes da fatídica ascensão dos talibãs, a mulher afegã adquiriu o direito ao voto (nos anos 1920) e o direito à igualdade de género (nos anos 1960). Em 1977 as mulheres representavam mais de 15% do órgão legislativo mais poderoso do Afeganistão, estimando-se, ainda, que no início dos anos 1990, 70% dos professores, 50% dos funcionários públicos e dos estudantes universitários e 40% dos médicos em Cabul eram mulheres (Comissão sobre a Situação da Mulher, ONU). Em 1996 teve lugar a trágica conquista da capital pelos talibãs a que se seguiu a contínua implementação de normas e orientações em clara contravenção dos direitos fundamentais das mulheres afegãs, que se viram privadas de direitos e liberdades basilares (como, por exemplo, a liberdade de expressão e de circulação, o direito ao trabalho, à educação, a cuidados de saúde, à integridade física e até à vida). Os atentados, flagrantes e avassaladores, incluíram como sabemos código de indumentária (por exemplo, burca e calçado que permitisse caminhar silenciosamente) e de comportamento (por exemplo, saídas só com familiares do sexo masculino sob pena de fustigação ou de apedrejamento, janelas com vidros pintados para impedir a visualização da mulher afegã em sua casa, estupro, sequestro e casamento forçado).

Opinião

Vacinação Plano B: Um por todos e todos por um

Na sequência de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa e semelhante à das outras vacinas e medicamentos que usamos todos os dias, a Agência Europeia de Medicamentos começou por aprovar uma vacina contra a Covid-19, a ComiRNAty, da BioNTech/Pfizer, que demonstrou, segundo a DGS, uma eficácia de 95% e, subsequentemente, a 6 de Jameiro de 2020, a Comissão Europeia anunciou que também a vacina mRNA-1273, da Moderna havia sido aprovada.