Nuno Santos

Memória futura

O entretenimento em 2015

O acontecimento do ano na oferta do entretenimento televisivo não é tanto o aparecimento de novos conteúdos mas, sim, o facto de um reality show da TVI ter sido vencido por um programa de talentos, neste caso o The Voice da RTP. Há quem veja aqui uma tendência, trata-se no entanto de um episódio isolado e reversível já nas próximas semanas. O que sucede é que o The Voice, na realidade um programa extraordinário dentro do género, está invulgarmente bem concebido e produzido e, desta vez, a TVI, foi errática em aspetos - do casting, ao ritmo das galas - em que não costuma facilitar.

Memória futura

Dez anos é muito tempo

O tempo deu razão ao presidente do Benfica e, não sendo suficiente que isso fosse dito pelos comentadores, mesmo os mais influentes, o próprio Luís Filipe Vieira veio dizê-lo de viva voz ontem no Expresso. Teve razão e, mais, teve visão contra o situacionismo. Enfrentar as águas paradas também é o que se pede a um dirigente, seja em que área for. Mas, como o tempo não para, há já uma pergunta em cima da mesa: o acordo que o Benfica fez com a NOS, sendo excelente no curto/médio prazo tem sentido no horizonte de uma década? Como na velha canção de Paulo de Carvalho, dez anos é muito tempo, só que o anúncio permitiu o número redondo e muito sonoro dos 400 milhões, ótimo para alimentar jornais, rádios e programas de TV. O Benfica a tentar a cabeça dentro do campo precisava do seu momento alto fora do campo. Melhor era impossível. Se pensarmos no que tem sucedido nos últimos anos com o aumento dos valores dos direitos desportivos em Inglaterra, Espanha, EUA e até em Portugal com o próprio Benfica, as dúvidas sobre a duração do contrato são legítimas. Esses valores foram crescendo porque as receitas e os mercados ganharam dimensão e não sendo essa realidade ilimitada está longe de estar esgotada.

Nuno Santos

Todo o cuidado é pouco

O mercado publicitário em Portugal está a crescer. Os números não coincidem em todas as notícias, até porque as formas de análise também são diferentes, mas o pano de fundo é o mesmo: há mais investimento, a televisão é dominante e cresce tanto em sinal aberto como na televisão paga, o online mantém um alto ritmo na sua (ainda) baixa performance e a imprensa continua a cair, embora seja legítimo associar algum do crescimento do online ao trabalho que a imprensa tradicional está a fazer na sua operação digital. Esta notícia, conhecida durante a semana, é boa para o mercado - sempre o "mercado" - os acionistas e com certeza os profissionais, mesmo que estes enfrentem tempos incertos. Há projetos novos e comprovadamente bem concretizados, como o Observador, mas há também grupos em reestruturação, como a Controlinveste, que detém o DN e outros que, mesmo com receitas sólidas, estão dependentes do alinhamento internacional como será o caso da Media Capital, detentora da TVI e da Rádio Comercial, entre outras marcas fortes.