Nuno Santos

Memória futura

Dez anos é muito tempo

O tempo deu razão ao presidente do Benfica e, não sendo suficiente que isso fosse dito pelos comentadores, mesmo os mais influentes, o próprio Luís Filipe Vieira veio dizê-lo de viva voz ontem no Expresso. Teve razão e, mais, teve visão contra o situacionismo. Enfrentar as águas paradas também é o que se pede a um dirigente, seja em que área for. Mas, como o tempo não para, há já uma pergunta em cima da mesa: o acordo que o Benfica fez com a NOS, sendo excelente no curto/médio prazo tem sentido no horizonte de uma década? Como na velha canção de Paulo de Carvalho, dez anos é muito tempo, só que o anúncio permitiu o número redondo e muito sonoro dos 400 milhões, ótimo para alimentar jornais, rádios e programas de TV. O Benfica a tentar a cabeça dentro do campo precisava do seu momento alto fora do campo. Melhor era impossível. Se pensarmos no que tem sucedido nos últimos anos com o aumento dos valores dos direitos desportivos em Inglaterra, Espanha, EUA e até em Portugal com o próprio Benfica, as dúvidas sobre a duração do contrato são legítimas. Esses valores foram crescendo porque as receitas e os mercados ganharam dimensão e não sendo essa realidade ilimitada está longe de estar esgotada.

Memória futura

A RTP e a terapia de choque

Fez agora um ano que escrevi nas páginas da Notícias TV, a revista que acompanhava o Diário de Notícias, uma crónica a que chamei "RTP - Uma Nova Teoria de Choque". O texto exprimia a minha visão sobre a necessidade de a RTP se reposicionar porque, nesse momento, as sombras em torno do futuro da empresa eram imensas e uma parte resultava da indefinição do poder político, ainda que me parecesse - como me parece hoje - elogiável o esforço do então ministro Miguel Poiares Maduro para retirar o governo do circuito.

Memória futura

Futebol falado ou futebol gritado?

Nos idos de 1990 Emídio Rangel criou na rádio e levou depois para a televisão o modelo dos debates entre representantes/adeptos de Benfica, Sporting e FC Porto. O modelo fez escola e o registo de violência verbal das últimas semanas não é bem uma novidade embora seja hoje mais frequente. Num dos primeiros programas, moderado na RTP por Paulo Catarro, um intrépido adepto do FC Porto - Pedro Baptista celebrizou-se por quase se pegar à pancada com Dias Ferreira que defendia as cores do Sporting perante o ar atónito de Fernando Santos, hoje selecionador nacional. Mais recentemente, ainda antes do episódio Eduardo Barroso, o recorrente Dias Ferreira abandonou em direto o estúdio do mais bem/sucedido formato dos últimos anos - o Dia Seguinte, da SIC Notícias.