Miguel Romão

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A justiça, a imprensa e a maledicência a funcionar em pleno

O professor José Azeredo Lopes, professor de Direito e antigo ministro da Defesa Nacional, foi acusado pelo Ministério Público, atendendo ao seu desempenho de funções nesta qualidade, de crimes relativos a um eventual encobrimento e manipulação de uma investigação que foi publicamente conhecida e felizmente pouco comum, no âmbito de um furto de armas de guerra. No entanto, o mesmo Ministério Público veio agora, em julgamento, pedir, de forma expressa, a sua absolvição, entendendo que não houve qualquer crime cometido por Azeredo Lopes.

Miguel Romão

Peste, água, fogo

Innerarity escrevia, há uma década, sobre a atual "coligação dos vivos" (O Futuro e os Seus Inimigos), pensando num futuro cada vez mais difícil de prever e de controlar, desde logo pela nossa imediatez e curto prazo da decisão política e a centrifugação do tempo de pensamento e de decisão, distantes de uma ideia de solidariedade intergeracional para o futuro. Ainda muito antes de haver covid-19. E ainda antes de uma urgência tornada mais premente, mas anunciada, passe a redundância, em torno da pressão sobre o ambiente e as alterações climáticas.

Miguel Romão

Se dúvidas ainda houvesse... quem manda em Portugal é a FPF

Alguém achou uma ótima ideia receber no Porto um jogo de futebol entre dois clubes ingleses, com mais de 12 mil adeptos no estádio e muitos outros no exterior, em pleno "estado de calamidade". A Alemanha, entretanto, proibia a entrada de ingleses no seu território em virtude de as vacinas covid-19 poderem não ser eficazes ou serem-no em grau inferior em relação à nova variante indiana da doença, cada vez mais relevante no Reino Unido (e também em Portugal). Esta proibição alemã ocorreu no mesmo dia, aliás, em que Portugal levantava todas as restrições à entrada de viajantes provindos do Reino Unido. Mesmo sabendo da irresistível atração que muitos portugueses sentem por virar frangos a cinco euros a britânicos e pelo imaginário disseminado por Zezé Camarinha, é obra. Ironia suprema: tanto quisemos turistas britânicos que o Reino Unido acaba de retirar Portugal da sua "lista verde" de destinos, obrigando a dez dias de quarentena e dois testes PCR no regresso...

Miguel Romão

Trio Odemira: exploração, conveniência e acomodação

Em maio de 2020, há um ano, o presidente da Câmara Municipal de Odemira exigia, nos noticiários das televisões, uma quarentena obrigatória para quem chegasse ao "seu" concelho. "São muitos a viver em pequenos espaços, sem condições, cerca de 10 mil", em Odemira, reportava-se há um ano, com declarações desse aurífico autarca. Basta rever as reportagens disponíveis na internet (designadamente na TVI24, de 11 de maio de 2020). E essa suposta exigência de quarentena, na verdade, seria ilegal. E o próprio autarca tinha o dever de o saber, para mais afirmando que essa quarentena se deveria estender a qualquer pessoa que pretendesse entrar em Odemira, esse absurdo ilegal, mas à época, na competição sanitária a que assistíamos entre autarcas, provavelmente bem recebido.