Jorge Moreira da Silva

Opinião

Assédio: mais exigência, menos voyeurismo

A forma como o tema do assédio sexual tem sido debatido, nos últimos dias, em Portugal, é revelador de um problema estrutural no que diz respeito à forma como encaramos a liberdade e a responsabilidade. Assim que algumas mulheres, a quem temos o dever de agradecer e não escarnecer, denunciaram episódios de assédio sexual - ocorridos há vários anos em ambiente laboral - mais do que um escrutínio sobre as politicas e os sistemas internos, no Estado e no setor privado, de prevenção destes fenómenos e de proteção das vitimas, surgiu uma enorme pressão colocada sobre aquelas mulheres, nos media e nas redes sociais, para que revelassem os nomes dos agressores, sob pena de a sua narrativa não ser merecedora de credibilidade. Estes inquisidores aparentam não compreender que, nesta fase, os relatos daquelas mulheres, mais do que uma reparação ou uma punição legal, procuram sensibilizar a sociedade para esta realidade e, dessa forma, garantir que, no presente e no futuro, as mulheres, em especial as mais jovens, estarão mais protegidas por uma cultura de tolerância zero em relação ao assédio e abuso sexuais. Seria inteiramente legítimo que aquelas vítimas denunciassem os alegados agressores. Como legítima é a sua opção de, não indicando nomes, colocar pressão sobre a sociedade para que as lacunas existentes - ao nível das políticas públicas e dos sistemas nas empresas e organizações - sejam superados.

Jorge Moreira da Silva

Igualdade de género e direitos das mulheres: ir além da efeméride e da repetição

À semelhança do que ocorre todos os anos a propósito das celebrações do Dia da Mulher, nos últimos dias foram publicadas várias reportagens sobre as desigualdades entre homens e mulheres. Uma vez mais foi sublinhado que essas inaceitáveis desigualdades, que penalizam as mulheres em Portugal, têm uma tradução clara no menor acesso a posições de liderança nas empresas e na política, na maior dificuldade em compatibilizar a vida profissional e familiar e nos níveis salariais mais baixos (as mulheres auferem em média, em Portugal, salários 12% mais baixos do que os homens). Mas esta luta pela igualdade de género não pode ser travada num mero registo de efeméride e de repetição.

Jorge Moreira da Silva

Uma catastrófica falha moral: uma pandemia, dois futuros

"Fará sentido começar a vacinar cidadãos jovens e saudáveis dos países ricos, antes de o garantir a todos os profissionais do setor da saúde e aos cidadãos idosos dos países pobres?" Esta pergunta foi feita pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), numa sala "virtual" repleta de líderes políticos internacionais, no âmbito da reunião sobre resiliência e acesso equitativo à vacinação que organizei, nesta semana, na OCDE.

Jorge Moreira da Silva

Quem tem medo de reformar a política?

A discussão sobre a reforma dos sistemas políticos e sobre o aperfeiçoamento da democracia surge em vagas. Há uns meses a discussão sobre a crescente influência da extrema-direita populista, racista e xenófoba em Portugal. Na semana passada, a discussão sobre o potencial alastramento, a outros países, dos efeitos da polarização e da radicalização nos EUA. E, nesta semana, a discussão sobre as dificuldades de compatibilizar a realização das eleições presidenciais com procedimentos de participação anacrónicos.

Opinião

Uma campanha poluída de mentiras sobre prospeção de petróleo no Algarve

Tenho 20 anos dedicados ao combate às alterações climáticas, proteção do ambiente e promoção das energias renováveis, tanto no plano nacional como europeu e internacional. As reformas que liderei, nos últimos anos, não só deram resultados práticos - reforma das águas, reestruturação dos resíduos, reforma do ordenamento do território, da reabilitação urbana e do arrendamento, licenciamento único ambiental, garantia de reforço das interligações energéticas europeias, corte de quatro mil milhões de euros nas rendas da energia, promoção das renováveis na eletricidade (passando de 45% para 62% em quatro anos), investimento de 300 milhões no litoral, demolição de construções ilegais na orla costeira, novo regime de autoconsumo de energia, novo regime da mobilidade elétrica, reforma da fiscalidade verde, pacote clima e energia para 2030 e assinatura com cem organizações da sociedade civil do Compromisso para o Crescimento Verde - como foram mesmo reconhecidas no plano internacional. Não fizemos da crise uma razão para hesitar ou adiar mas uma razão adicional para liderar mundialmente no crescimento verde.