Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva

Enfrentar a fragilidade e investir na resiliência global

Esta pandemia - assim como as crises dos refugiados da Síria, os fenómenos climáticos extremos que afetaram algumas ilhas no Pacífico e Moçambique, o acidente nuclear de Fukushima, o terramoto do Haiti, os incêndios florestais em Portugal, na Austrália e na Califórnia - colocou em evidência a interdependência entre os países, a assimetria nos efeitos sociais económicos das crises (penalizando os mais vulneráveis) e a importância da cooperação e solidariedade internacionais e do investimento em prevenção e resiliência. Apesar de o conceito, ou o rótulo, de resiliência se ter recentemente generalizado na comunicação pública, não me parece que se tenha ido suficientemente longe na abordagem de outro conceito essencial: a fragilidade.

Jorge Moreira da Silva

Para quando uma bazuca de produtividade e competitividade?

Não menosprezo o Plano de Recuperação e Resiliência, nem o papel dos 17 mil milhões de subvenções europeias nele enquadrados. Mas lamento que teimemos em não perceber que os problemas de crescimento da economia não se podem resolver apenas na perspetiva do financiamento - e, muito menos, exclusivamente do lado do financiamento público -, ignorando os constrangimentos estruturais que nos impedem de crescer há décadas.