Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva

Acordar deste longo sonambulismo

De quantas mais crises e de quantos mais relatórios internacionais precisaremos para perceber que temos de mudar de vida? Nem a crise de há dez anos - que culminou com o pedido de resgate, em 2011, e que só foi debelada com reformas políticas e com sacrifícios dos portugueses -, nem a gigantesca crise económica e social originada pela pandemia, nem a crescente descrença das pessoas na política e nas instituições, originou as mudanças, incluindo culturais, que seria legítimo esperar ao nível das propostas políticas dos partidos, da organização do sistema político, do funcionamento da democracia e da densidade do debate público.

Jorge Moreira da Silva

A boa liderança

Peter Drucker dizia que "gerir é fazer as coisas bem, liderar é fazer as coisas certas". Paradoxalmente, apesar da importância que comporta para o nosso futuro individual e coletivo, pouca atenção é atribuída à discussão sobre os atributos da liderança política. É verdade que existe investigação e bibliografia abundante sobre os atributos da liderança política. Mas não é menos verdade que nada dispensa a reflexão individual dos eleitores sobre as suas escolhas de liderança.

Jorge Moreira da Silva

Igualdade de género e direitos das mulheres: ir além da efeméride e da repetição

À semelhança do que ocorre todos os anos a propósito das celebrações do Dia da Mulher, nos últimos dias foram publicadas várias reportagens sobre as desigualdades entre homens e mulheres. Uma vez mais foi sublinhado que essas inaceitáveis desigualdades, que penalizam as mulheres em Portugal, têm uma tradução clara no menor acesso a posições de liderança nas empresas e na política, na maior dificuldade em compatibilizar a vida profissional e familiar e nos níveis salariais mais baixos (as mulheres auferem em média, em Portugal, salários 12% mais baixos do que os homens). Mas esta luta pela igualdade de género não pode ser travada num mero registo de efeméride e de repetição.

Jorge Moreira da Silva

Uma catastrófica falha moral: uma pandemia, dois futuros

"Fará sentido começar a vacinar cidadãos jovens e saudáveis dos países ricos, antes de o garantir a todos os profissionais do setor da saúde e aos cidadãos idosos dos países pobres?" Esta pergunta foi feita pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), numa sala "virtual" repleta de líderes políticos internacionais, no âmbito da reunião sobre resiliência e acesso equitativo à vacinação que organizei, nesta semana, na OCDE.

Jorge Moreira da Silva

Quem tem medo de reformar a política?

A discussão sobre a reforma dos sistemas políticos e sobre o aperfeiçoamento da democracia surge em vagas. Há uns meses a discussão sobre a crescente influência da extrema-direita populista, racista e xenófoba em Portugal. Na semana passada, a discussão sobre o potencial alastramento, a outros países, dos efeitos da polarização e da radicalização nos EUA. E, nesta semana, a discussão sobre as dificuldades de compatibilizar a realização das eleições presidenciais com procedimentos de participação anacrónicos.

Opinião

Uma campanha poluída de mentiras sobre prospeção de petróleo no Algarve

Tenho 20 anos dedicados ao combate às alterações climáticas, proteção do ambiente e promoção das energias renováveis, tanto no plano nacional como europeu e internacional. As reformas que liderei, nos últimos anos, não só deram resultados práticos - reforma das águas, reestruturação dos resíduos, reforma do ordenamento do território, da reabilitação urbana e do arrendamento, licenciamento único ambiental, garantia de reforço das interligações energéticas europeias, corte de quatro mil milhões de euros nas rendas da energia, promoção das renováveis na eletricidade (passando de 45% para 62% em quatro anos), investimento de 300 milhões no litoral, demolição de construções ilegais na orla costeira, novo regime de autoconsumo de energia, novo regime da mobilidade elétrica, reforma da fiscalidade verde, pacote clima e energia para 2030 e assinatura com cem organizações da sociedade civil do Compromisso para o Crescimento Verde - como foram mesmo reconhecidas no plano internacional. Não fizemos da crise uma razão para hesitar ou adiar mas uma razão adicional para liderar mundialmente no crescimento verde.