Jorge Costa Oliveira

Jorge Costa Oliveira

Novas projeções demográficas para 2100

As projeções demográficas até ao final do século elaboradas em 2017 pela Divisão da População da ONU foram corrigidas pela revisão de 2019, tendo alguns estudos (vamos focar-nos no estudo de Vollset e outros, publicado na The Lancet de 17 de outubro de 2020) feito projeções apontando para uma diminuição do crescimento populacional em virtude essencialmente da introdução de fatores mitigadores das taxas de fecundidade resultantes de um maior acesso das mulheres à educação, do acesso à contraceção e de mudanças de estilo de vida. De acordo com o Survey das NU, a população mundial deverá crescer dos atuais 7890 milhões para c. 10 875 milhões em 2100. De acordo com o estudo de Vollset e outros, deverá subir até c. 9733 milhões em 2064 e atingir apenas c. 8785 milhões no final do século.

Opinião

Desbaratando a neutralidade de Portugal

Em 2018 conheci um americano especialista em gestão de centros de dados que queria criar e gerir data centres em Portugal. E a principal razão para fazer esse investimento em Portugal residia no facto de Portugal ser um "país neutro". Esclareci-o que Portugal era membro da NATO, ao que ele retorquiu que isso não era importante; "importante é a imagem que o país projeta para o exterior". E deu-me um exemplo; tinha três clientes interessados em vir para o centro de dados que ele criar/gerir na Europa; uma dessas empresas é libanesa, outra é israelita e outra é saudita. Investindo em França - onde o namoravam então para se instalar lá - caso uma dessas empresas ficasse no seu data centre, as outras duas recusariam. Mas em Portugal, dizia, todas aceitam ficar. "Por causa da imagem de neutralidade que o teu país tem". "O teu país dá-se bem com a generalidade dos países, vocês criam pontes, não são agressivos, gerem uma relação equilibrada a nível internacional".

Jorge Costa Oliveira

O sapo no poço não conhece o grande oceano

O título deste artigo é um provérbio japonês que tem origem numa conhecida fábula chinesa (O sapo no fundo do poço) imortalizada por Zhuang Zi, filósofo taoista do século IV a.C. Reza a fábula que um sapo vivia no fundo de um poço esconso, a partir do qual se divisava apenas, no topo, alguma luminosidade e um pequeno pedaço do céu. Um dia, passou pelo poço uma tartaruga a quem o sapo contou que ali tinha vivido toda a sua vida e como estava feliz no poço, contente com a vida que levava, pois possuía o poço inteiro e podia fazer o que quisesse: ali cantava, dançava, descansava nas fendas dos tijolos do poço, divertia-se com o lodo e o musgo, e como era feliz por ser dono da água e dono do poço. A tartaruga perguntou-lhe porque não saía do poço e ia ver o mundo. O sapo sorriu com desdém: "Que mais poderia haver? A que mais poderia aspirar?" Para ele, o poço, e o pedaço de céu que via do poço, eram o mundo inteiro.

Jorge Costa Oliveira

Made in China 2025 e o novo mundo multipolar

Em 2015 a China adotou um dos seus mais ambiciosos planos - o Made in China (MIC) 2025. O MIC 2025 é uma iniciativa que visa garantir a posição da China como uma potência global nas indústrias de alta tecnologia, apostando em dez setores estratégicos - tecnologia de circuitos integrados e nova TI; maquinaria de controlo manufatureiro e robótica de ponta; equipamento aeronáutico e aeroespacial; equipamento de engenharia oceânica e transporte marítimo de alta tecnologia; equipamento moderno de transporte ferroviário; veículos movidos a novas energias; equipamento de energia; novos materiais críticos; biomedicamentos e equipamento médico de ponta; maquinaria e tecnologia agrícolas.

Jorge Costa Oliveira

Hidrogénio verde, lítio e IPCEI

O projeto de produção em Portugal de hidrogénio verde em grande escala começa com uma empresa portuguesa de um cidadão holandês, Marc Rechter. Planeou o projeto, articulou com várias entidades, terá sensibilizado vários clientes potenciais na Holanda, na Alemanha e em países adjacentes. Apresentou o projeto de seguida ao governo português e, perante a reação positiva deste, promoveu a ligação a entidades da Holanda - do respetivo governo a off-takers do hidrogénio.