João Melo

João Melo

África e o islão: que futuro?

No início deste mês, o islamismo africano voltou a ser notícia, mais uma vez por más razões: o sequestro de mais de 300 jovens estudantes nigerianos na cidade de Kankara, estado de Katsina. O sequestro foi reivindicado pelo Boko Haram, organização ligada ao Estado Islâmico. Os estudantes foram libertados dias depois, mediante, segundo uma fonte da France Press, o pagamento de um resgate pelas autoridades nigerianas, mas o episódio mantém na ordem do dia as inquietações sobre o futuro do islamismo em África.

João Melo

O "voto étnico" na América

Como é que funcionou o "voto étnico" nas últimas eleições norte-americanas? De acordo com uma projeção provisória da cadeia de televisão CNN, o candidato democrata e vencedor das referidas eleições, Joe Biden, teve 42% dos votos dos eleitores brancos, contra 57% de Donald Trump; 87% dos votos negros, contra 12% do seu adversário; 66% dos votos latinos, contra 32% do republicano; 63% dos votos dos asiáticos, contra 31% do ainda presidente; e, por fim, 58% dos "outros" (seja lá o que isso for), contra 40% do atual ocupante da Casa Branca.

Exclusivo

João Melo

Entre o silêncio e o gueto

Em texto anterior, lembrei que a presença africana em Portugal, incluindo quer os berberes e os árabes do norte de África quer os indivíduos originários da região subsariana do referido continente, remonta ao século VII. Talvez devido ao atual aspeto cromático dos árabes e berberes do norte, em particular as suas elites, que passaram por um processo de embranquecimento histórico, a sua condição de indivíduos africanos tende a ser omitida, o que serve ao mesmo tempo para silenciar a contribuição africana em geral para a formação portuguesa e para alimentar o preconceito racial contra os africanos negros, na sua maioria oriundos do sul do Sara.

João Melo

Pandemia, violência e democracia

Os governos amam pandemias da mesma forma que amam as guerras; porque lhes dá poder; dá-lhes o controlo e dá-lhes a capacidade de impor obediência aos seres humanos." Esta frase, que começou a circular nas últimas semanas em várias redes sociais é atribuída ao advogado Robert F. Kennedy Jr., filho do antigo congressista americano Robert Kennedy e sobrinho do antigo presidente John F. Kennedy, assassinado em Dallas em 22 de novembro de 1963. A mesma teria sido proferida em Berlim, no dia 29 do passado mês de agosto, durante uma palestra sobre o novo coronavírus.