João Melo

João Melo

Lições preliminares das eleições americanas

Por causa do prazo para entregar este artigo, tenho de escrevê-lo quando ainda não é conhecido o vencedor das eleições nos Estados Unidos, realizadas a 3 de novembro. No momento em que o faço, o candidato democrata, Joe Biden, está a um passo (um estado) da vitória. Mas tudo ainda é matematicamente possível, até um empate entre ele e Trump, o que criaria uma situação inusitada e complexa, mas resolúvel. Seja como for, já há algumas lições preliminares que podem ser extraídas destas eleições. A primeira é que o carácter decisivo da disputa eleitoral de 3 de novembro de 2020 foi confirmada pela histórica participação dos eleitores, de ambos os partidos. Como resultado, não apenas Joe Biden teve a maior votação da história das eleições americanas, superando o registo de Obama em 2008, como o próprio candidato republicano, Donald Trump, aparece logo a seguir. A segunda lição é que ficou igualmente confirmado que as eleições constituíram uma espécie de referendo sobre a figura de Trump e que a gestão da crise causada pela pandemia da covid-19 foi o fator principal por detrás do voto individual dos eleitores (para sintetizar, os mesmos poderão ser caracterizados entre pró-confinamento e pró-abertura e foi isso o que determinou a sua escolha entre um e outro candidato). Sem ignorar, claro, temas como a economia (inevitável), o racismo e a estabilidade social (law and order).

João Melo

Tik-Tok, Tik-Tok, chegou a nova guerra fria

O presidente Donald Trump quer banir a grande rede social chinesa TikTok do território americano (e do resto do mundo?), com receio de que ela esteja a espiar os dados pessoais dos seus utilizadores. Essa decisão junta-se à guerra comercial desencadeada por Washington contra Pequim mal o atual presidente chegou à Casa Branca, bem como aos esforços da atual administração norte-americana para banir a Huawei da telefonia móvel G-5. Não nos esqueçamos, também, da insistência de Trump em responsabilizar a China pela pandemia da covid-19.

João Melo

Angola e o Acordo Ortográfico

Como observei no meu artigo anterior, Angola é o segundo maior falante de português em todo o mundo, depois do Brasil, o que lhe atribui responsabilidades acrescidas no que diz respeito às respetivas políticas, não apenas internas mas igualmente externas. Na minha opinião, que é rigorosamente individual e vale o que vale, o país tem negligenciado tais responsabilidades. A persistente ambiguidade e hesitação em tomar uma posição definitiva em relação ao Acordo Ortográfico de 1990, por exemplo, confirma essa atitude. Pela parte que me cabe, tenho muita dificuldade em entender a relutância de alguns setores em ratificar o referido acordo.