João Melo

João Melo

A América e a democracia global – o que faltou dizer

No artigo publicado aqui no passado dia 13 de julho deste ano, comentei a pretensão anunciada pelo presidente americano Joe Biden de liderar o combate global para defender a democracia, ameaçada por aquilo a que se tem chamado "derivas autoritárias". Apontei então algumas limitações dessa pretensão. As duas teses principais do artigo eram que, para desempenhar esse papel, a principal potência mundial precisa, primeiro, de resolver o problema das ameaças internas à sua democracia, protagonizadas pelo trumpismo, e, segundo, de articulá-lo com as principais instituições multilaterais existentes, a começar pela ONU. Só faltou concluir que, caso contrário, estaremos de volta à "América de Bush", quando os EUA pensavam que podiam implantar a democracia em outros países (os que lhes interessavam) à custa de invasões e "revoluções" híbridas.

João Melo

A América e a democracia global

Na sua primeira viagem à Europa depois de eleito, o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu aos seus parceiros liderar o combate global pela democracia, atualmente ameaçada por uma clara deriva autoritária em todo o mundo. Trata-se, no fundo, de reciclar uma narrativa que a hoje maior potência mundial sempre soube elaborar e difundir, por todos os meios, desde a sua fundação: a ideia da América como farol da democracia, exemplo a seguir por todos os povos.

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 3

As mudanças progressistas, no sentido amplo e não isento de controvérsias, que estão a acontecer na América Latina nos últimos dois anos não devem ser motivo de ufanismos pelos que se identificam com esse campo político. Além da necessidade de discutir internamente os limites e ambiguidades de algumas dessas mudanças, assim como as possibilidades de expansão e modernização das propostas populares nos diferentes países, seria ingenuidade acreditar que esse sentido é unívoco.

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 2

O candidato progressista Pedro Castillo venceu as eleições presidenciais do passado dia 6 no Peru. Matematicamente, a candidata conservadora, Keiko Fujimori, não tem mais hipóteses, mas continua a reclamar fraude, apesar de o Júri Nacional de Eleições do país ter afirmado que a disputa foi limpa. A Organização de Estados Americanos, que não pode, pelo seu histórico, ser acusada de "esquerdismo", reafirmou a lisura e o êxito das eleições. Castillo tomará posse no próximo mês.

João Melo

Lula, o incontornável

No passado dia 8 de março, um dos juízes membros do Superior Tribunal Federal (STF) do Brasil, Edson Fachin, anulou os processos penais contra o ex-presidente Lula da Silva, por "absoluta incompetência" do foro da cidade de Curitiba, que os havia instaurado antes da última eleição presidencial, em 2016, sob a suspeita de ter agido para impedir a candidatura do líder do PT, amplo favorito naquela eleição. A decisão de Fachin confirma, segundo alguns, a referida suspeita.

João Melo

E agora, América?

Após as eleições presidenciais realizadas nos Estados Unidos da América (EUA) no último dia 3 de novembro e, sobretudo, perante o inenarrável espetáculo a que assistimos até ao momento, com os patéticos esforços de Trump e dos seus aliados para reverter os resultados da disputa - a fazer lembrar uma qualquer república das bananas -, o que acontecerá no país de Lincoln, Roosevelt, Kennedy e Obama depois de 20 de janeiro de 2021? E qual poderá ser o seu papel internacional?