Joana Petiz

Joana Petiz

Saber gerir a crise

Três meses depois - e com milhares de pessoas a ficar para trás -, percebeu-se que é preciso simplificar e começar a vacinar pelos mais velhos, em vez de o fazer aos soluços, conforme se vai lembrando que existem pessoas expostas ao risco por toda a parte. Os responsáveis foram obrigados a ver que a vontade de proteger quem mais se expõe é subjetiva e injusta. Subjetiva, porque não se vê ninguém clamar, por exemplo, pela inoculação urgente dos funcionários do supermercado, que sempre garantiram que os portugueses - quantos deles infetados? - podiam continuar a comprar comida. Injusta porque desadequada da realidade da doença: quanto mais novas faixas se acrescentavam (governantes, doenças associadas, classes profissionais como os professores, etc.), mais para trás ficavam os velhinhos, que mereciam e precisavam de proteção urgente. Se o método dos SMS não estava a resultar, havia que detetar o erro e emendá-lo com rapidez.

Joana Petiz

Desconfinar, mas devagarinho

Há luz ao fundo do túnel. Os casos de covid caíram a pique, os recuperados dispararam, os internamentos e as mortes estão sob controlo e por isso é possível, enfim, avançar, dizem os especialistas. Leia-se, podemos começar a pensar em desconfinar. Devagarinho... sem grandes confianças. Nada de pôr já muita certeza em prazos que soem a normalidade ou à possibilidade de a economia voltar a andar pelo próprio pé. Abre-se, mas pouco, que enquanto os portugueses se mantiverem em casa os contágios estão controlados - ainda que de forma artificial e de duração diretamente proporcional ao tempo de encerramento.

Opinião

Não há lados no discurso do ódio

Diz Mamadou Ba que é inconcebível em democracia dar honras de Estado a um "criminoso de guerra". É como se refere a Marcelino da Mata, nascido na então portuguesa Guiné e que lutou pelo lado português na Guerra Colonial. Não propriamente pelos atos cometidos em batalha, mas pelo facto de Marcelino ter lutado do lado que Ba considera o errado. Guardaria semelhante discurso para quem tivesse combatido com as mesmas armas do outro lado da barricada?

Opinião

Nove meses depois... está tudo pior

Abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro. Nove meses depois da primeira explosão de casos - uma fração dos atuais números de contágios, internamentos e mortes por covid -, a discussão é exatamente a mesma. Fecha-se tudo ou não - e chega fechar? Os hospitais estão a rebentar pelas costuras - porque não há uma resposta integrada na saúde que conte com todos os atores, públicos, privados e setor social? Não há controlo sobre os focos de contágio e é essa a forma de travar os números.

Opinião

Marcelo e as moratórias: sinal de esperança

Da mesma forma que o entendimento e a reação à pandemia foram evoluindo conforme se foi assumindo que, sendo coisa nova, pouco mais de nada se sabia sobre a covid - e o vírus no-lo foi demonstrando cruamente, com infeções e mortes -, também fomos assistindo ao declínio do otimismo nas teorias de recuperação da consequente crise económica. Em meia dúzia de meses, percebemos que a queda rápida e profunda não seria sucedida por uma recuperação-relâmpago e para aplacar os efeitos das perdas acumuladas e do adiamento das perspetivas de normalidade foram fundamentais medidas como o lay-off ou as moratórias. Não foram suficientes nem suficientemente rápidas, infelizmente, mas contribuíram para ao menos adiar a crise social decorrente de falências e despedimentos em catadupa. O que agora está em cima da mesa é a decisão de, mais do que adiar, evitá-las na sua maioria.

Joana Petiz

Desculpe, tenho um bicho na sopa

Já muitos sentimos saudades do velhinho galheteiro de vidro a escorrer gordura, desaparecido das mesas do restaurante. E das castanhas em cartuchos feitos ao momento das páginas de jornais das vésperas. Possivelmente há quem nem desconfie, mas existem regras que ditam que carne, peixe e vegetais serão preparados em bancadas distintas e lavados em cubas diferentes. Estas e muitas, muitas outras regras apareceram para garantir que a comida servida nos restaurantes é manipulada com o máximo de higiene.

Opinião da direção

Há tempo para resolver o crime

A 29 de junho de 2017 alguém entrou nas instalações militares de Tancos e levou armas e munições, incluindo uma caixa com 264 velas de explosivo plástico, cada uma delas com capacidade para fazer mais estragos do que o TNT. Aponto o assalto ao dia 29 de junho porque foi a data em que se assumiu - a verdade é que não há grandes certezas sobre quando o material desapareceu, ou sequer se terá sido todo levado de uma vez ou em suaves alívios prolongados no tempo. Certo é que houve generais exonerados e a maioria do material até foi recuperado - tudo muito bem arrumadinho numa mata perto da Chamusca, aviso feito por chamada anónima e caixa de explosivos extra, talvez para compensar o incómodo causado. Ainda assim, pediram-se cabeças e ordenou-se que se investigasse e entendesse o que acontecera para impedir repetições igualmente capazes de nos envergonhar a todos enquanto país.

Opinião da direção

Até haver novo aeroporto...

Com o turismo a bater recordes sucessivos há quatro anos, a capacidade do Aeroporto de Lisboa, que andamos a discutir há mais de uma década, tem estado no centro das preocupações de agentes do setor, homens de negócios, empresários e governantes. Mas se muito se tem dito sobre o assunto, pouco do que se tem feito parece ter resultados concretos na resolução de um problema há muito detetado mas cujas soluções continuam a não produzir resultados. Há prazos indicados (alguns ultrapassados), sugestões feitas, alternativas ponderadas, estudos elaborados, mas continuamos a não ver passar as palavras a atos. A ideia de Beja acolher alguns voos, por exemplo, passou à história, porque os operadores não querem aterrar no Alentejo. Como nem os descontos no combustível serviram para os convencer, ao fim de sete anos de parca atividade, o local serve hoje para pouco mais do que parquear aviões.